Voltar ao nosso centro
4 October 2019 · 2 min read

Por vezes temos a sensação de termos vivido várias vidas numa só. Perdemos a noção do que queremos e de quem somos, a nossa gargalhada dilui-se com os dias difíceis, no acumular de tarefas e à medida que os dias se somam em anos, transformamos-nos numa sombra do que fomos. O foco é tudo e quando nos distraímos por demasiado tempo, arriscamos deixar de estar em sintonia com aquilo que mais amamos em nós. Com o nosso centro. É esta a altura certa para cuidar mais de nós.
Nada é tão digno do nosso esforço e investimento do que o nosso crescimento pessoal, do que aquela sensação incomparável de que estamos finalmente a fazer progressos e a ir a algum lado. Não podemos permitir que alguém nos faça sentir pequenos, que nos ridicularize por sonharmos com mais da vida, por não estarmos totalmente satisfeitos com o que obtemos. A inquietude faz parte do nosso estado natural e é isso que nos permitir passar de um ponto ao outro.
Para conseguirmos ser a pessoa que gostaríamos temos de examinar com honestidade o que nos está a travar e sair do nosso próprio caminho porque muitas vezes somos nós que temos medo de dar aquele passo, de perseguir aquele projecto, de lutar por aquele sonho. Adoptamos uma mentalidade de tudo ou nada em que procuramos o imediatismo e a gratificação instantânea. Não sabemos lidar com aquela frustração que deixa um sabor amargo na boca e o coração apertado. Esquecemos que aos poucos podemos começar a ganhar tracção e velocidade para atingir o que quer que seja. Não somos pacientes nem resilientes em dose suficiente.
Precisamos de acreditar com todas as forças que as pequenas coisas, os resultados aparentemente mais insignificantes também devem ser assinalados e festejados efusivamente, que tudo o contribua para ampliar o nosso estado mental e nos fazer crescer como seres humanos tem em si o dom de ser benéfico.
Não gostamos da pessoa que somos quando nos distraímos, quando tiramos os olhos da meta, quando vivemos relacionamentos que não nos preenchem, quando não encontramos um porquê forte o suficiente para sustentar todos os abalos. Ninguém quer ter uma vida vazia de sentido, desprovida de calor, de segurança e de estima. Todos queremos ser olhados de forma especial e amados mas para que tal aconteça não podemos aceitar ser tratados como se não o fôssemos. Temos de dar um salto de fé e voltar ao nosso cerne, aquele que é feito de intuição e paz e sabe tudo o que necessita porque é nas coisas mais simples que se encontra tudo.
Paula Gouveia
Créditos da foto: https://unsplash.com/photos/sKJ7zSylUaoThis article hasn't been translated to English yet — showing the original Portuguese version.
