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Tudo o que precisamos

18 July 2020 · 2 min read

Tudo o que precisamos
 

Tudo o que precisamos, muitas vezes, é de um simples olhar compreensivo, um abraço ou uma palavra de conforto, de coragem, de incentivo. Não é de posses extravagantes ou de grandes conquistas a nível material, apesar de estas não deixarem de ser agradáveis quando surgem, mas de actos que nos encham o coração.

Confundimos com frequência as expectativas dos outros com os nossos próprios desejos e esquecemos que o mais importante é seguir os nossos instintos e saber que não estamos a ir contra a nossa própria natureza. A vida é cheia de contrariedades, de problemas, de dor. Talvez nem seja suposto ser fácil. Mas é possível fazer da felicidade quase que uma rotina e tornarmos-nos mais fortes.

Tudo o que precisamos, muitas vezes, é de alguém que esteja simplesmente lá. Não apenas em presença mas também em essência. Uma pessoa que nos aceite como somos e nos ajude a tornarmos-nos melhor, que nos dê a sensação reconfortante de chegada ao lar depois de um longo dia de trabalho, dos cozinhados de Domingo da nossa avó, daquele sorriso empático do nosso professor preferido.

Não estamos sozinhos, por mais que nos possamos sentir solitários. Temos de encarar cada batalha como um desafio e militar pelas nossas causas, investindo totalmente nas nossas capacidades e potencial, enquanto não tivermos pessoas que os possam fazer connosco.

Tudo o que precisamos, muitas vezes, é de não ter medo da nossa própria escuridão porque é através dela que vemos rasgos de luz. De não ter medo das nossas vulnerabilidades e fraquezas porque é delas que construímos recursos e alicerces que se tornam as nossas armaduras e fortalezas.

Estamos em crise sanitária e económica mas esta não atinge todos da mesma forma, não é um elemento totalmente equalizador porque sempre haverá alguém com mais recursos do que nós, com mais possibilidades de suavizar os seus embates com uma realidade que consegue ser tão dura e imprevisível.

O orgulho motiva-nos a querer mostrar que temos razão, que não cometeríamos os mesmos erros que a pessoa ao nosso lado, que somos de alguma maneira superiores, quando nada poderia estar mais longe da verdade. Estamos todos no mesmo barco, a enfrentar situações com maior ou menor sucesso, a sentir uma vasta gama de emoções, a ser tudo o que podemos.

O foco no supérfluo rouba-nos a atenção no que é primordial como ter uma rede de afectos significativa, a ter um trabalho que nos preencha mais como pessoas do que apenas o extracto da nossa conta bancária.  A capacidade de perceber as necessidades de quem está à nossa volta não tem preço.  A palavra certa no momento certo faz toda a diferença. E, por vezes, isso é tudo que precisamos.

 

Paula Gouveia

  Imagem retirada de: https://unsplash.com/photos/dvXGnwnYweM

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