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Tudo ficará bem

29 October 2019 · 2 min read

Tudo ficará bem
 

No dia 20 de Outubro assinalou-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying, um fenómeno endémico e transversal a todas as camadas da sociedade. Há bullying um pouco por todo o lado e infelizmente, há bullying em menor ou maior grau um pouco todos os dias. Este comportamento pode passar por agressões físicas que deixam repercussões no corpo e/ou agressões verbais, que deixam cicatrizes na alma. É destas últimas que gostaria de falar mais em detalhe.

Somos o que comemos, somos o que pensamos e somos também muito a forma como tratamos os outros e os fazemos sentir. As nossas palavras têm um efeito e podem ferir mais do que qualquer pontapé ou bofetada. Tanto podem servir para levantar a moral e a auto-estima de alguém como para rebaixar, fazer essa pessoa sentir-se inferior, como se nada do que ela fizesse fosse suficiente.

Os danos podem ser irreparáveis e fazer-se notar uma vida inteira sob a forma de ansiedade, depressão, insegurança, necessidade desenfreada de competir com os outros e provar que temos valor, que o que outrora nos disseram era errado. Que afinal não tínhamos razões para sofrermos.

Na era actual não dispomos de muita paciência e orientação, queremos soluções imediatas, rápidas e eficazes. Muito se fala da necessidade de manter o pensamento positivo, que tudo passa, que o que não mata torna-nos mais fortes, que a vida vai melhorar. Mas quando somos vítimas de bullying o tema parece parado, a dor é quase insuportável e o desespero pode ser tão grande que não vemos uma luz ao fundo do túnel.

É preciso acreditar que o tempo cura os feridas e tudo pode melhorar, mas também é preciso, por vezes, ir à raiz dos problemas. As crianças e adolescentes, em fase de formação de personalidade, estão particularmente vulneráveis ao bullying, mas a verdade é que ninguém está imune. Saber lidar com quem nos ataca e magoa numa base diária requer ter uma estrutura psicológica tão sólida que até o mais convicto dos adultos pode desmoronar com um simples comentário depreciativo, por exemplo.

O importante é continuar sempre a tentar relativizar e procurar soluções. Não somos definidos pelo que fazemos mas sim pelo que somos, pelo que sabemos ser especial, único, importante e verdade para nós. Numa vida que é feita de incertezas temos de encontrar aí a coragem para enfrentar os maiores obstáculos e continuar sempre a seguir em frente, não importa o que nos fizerem ou disserem. Por vezes podemos ser acometidos por um sentimento de desânimo, como se não pertencêssemos a lado nenhum. Mas pertencemos sempre a nós próprios e esse sítio ninguém nos pode tirar.

Paula Gouveia

Créditos da foto: Milada Vigerova

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