Suicídios entre médicos e no Japão: a cultura da perfeição
15 September 2026 · 2 min read

Foto de Elodie Debard na Unsplash
Os suicídios são um problema gravíssimo a nível global, sendo que apresenta números crescentes na região das Américas (de aproximadamente 17% para 38% em duas décadas). Esta é uma das principais causas de morte de jovens entre os 10 e os 29 anos, com subidas acentuadas na faixa etária dos 10 aos 14 anos.
Os adolescentes sofrem as suas crises existenciais que trazem sofrimento e angústia mas é possível minimizar esses sentimentos com planos de ação prática na comunidade envolvente e cuidados de saúde. E falando de cuidado, é preciso cuidar também de quem cuida.
O burnout profissional de profissionais de saúde é infelizmente uma realidade cada vez mais estabelecida no nosso país face ao stress crónico e exigências do trabalho. Classes como enfermeiros e médicos acusam um esgotamento físico e psicológico de uma profundidade extrema que não desaparece com um simples descanso. Aliás, o suicídio na profissão médica é frequentemente superior à população em geral, sobretudo entre as mulheres médicas. Continua a haver estigma ligado a pedir ajuda relativamente à saúde mental, a mostrar vulnerabilidade e pressão para corresponder a uma cultura de perfeição.
O que nos leva ao último país que vos quero falar, o Japão, em há que três anos os suicídios entre crianças e adolescentes atingiram máximos históricos. Nesse contexto pode-se falar da história dos samurais que cortavam o abdómen com a espada como código de honra para, ao morrer desta forma, evidenciarem a sua coragem (seppuku). Mas parece que no novo milénio a cultura é sufocante a tal ponto que é uma vergonha alcançar menos que a excelência numa nota de um teste ou num trabalho por exemplo. Talvez, em vez de promovermos a resiliência estejamos a criar futuros adultos com medo de desiludir e a precisar constantemente de aprovação externa.
O Japão começou este ano a dar incentivos a empresas que apoiem de forma ativa o cuidado infantil e promovam serviços de apoio às famílias. Esperemos que este modelo dê frutos.
Paula Cristina Gouveia
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