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O amor é...

24 February 2019 · 2 min read

O amor é...
 

Muitos acham inútil tentar definir ou explicar o amor na medida em que é um sentimento tão poderoso que não se deixa dobrar pela razão. Sabemos que vai para além de uma data comemorativa, o dia dos Namorados, em que se compram flores, chocolates, ursinhos de peluche e afins e muitas vezes se tenta compensar com presentes, bens materiais momentâneos a atenção, o carinho e o afecto que não se demonstram ao longo do ano.

O amor é mais que ter um parceiro, é uma atitude geral perante a vida. É acordar pela manhã com energia, com um sorriso na cara e criatividade nas veias. Amar faz-nos sentir vivos e ter essa capacidade de adorar as coisas à nossa volta, até as mais pequenas, reflecte-se de volta em nós.

A Bíblia diz que o amor é paciente e prestável, que tudo suporta e não é orgulhoso. Num mundo cada vez mais apressado, feito de fórmulas feitas, receitas prontas e relações descartáveis, talvez estejamos a perder a capacidade de amar verdadeiramente. De saber esperar, adiar a gratificação. de querer ajudar o outro e estar lá para ele incondicionalmente. Num mundo em que somos tão levados pelo ego, pelo narcisismo exacerbado de só pensarmos nas nossas necessidades e desejos, em que a nossa resistência à frustração é muito fraca ou mesmo inexistente, será que sabemos amar? Como podemos ver realmente quem está ao nosso lado e colocarmos-nos no seu lugar se só vemos o nosso umbigo, o que é mais confortável e conveniente para nós? O amor não é uma questão de conveniência. Pode, com o tempo e convivência tornar-se tranquilo e plácido como um ribeiro mas na sua essência é fogo. Uma chama que tanto pode aquecer como destruir, brilhar eternamente ou desfazer-se em cinzas, sem nada mais restar.

Devemos investir pois na qualidade dos nossos relacionamentos: no amor pela nossa família, pelos nossos amigos e nosso parceiro se o tivermos. Investir em nós para podermos dar mais do nosso coração aos outros porque se não amarmos, se não acreditarmos que merecemos amor, estamos a nivelar por baixo todas as nossas interacções vindouras, seja de que tipo forem. Que saibamos respeitar o nosso próprio ritmo, respirar, tomar o nosso espaço, estar bem connosco para podermos bem com quem nos rodeia e recarregar baterias para sempre nos renovarmos. E que nos consigamos dividir verdadeiramente porque por mais que viver seja, em última instância, um processo solitário, tudo na vida é melhor quando é partilhado. Os fardos tornam-se mais leves, as dores mais fáceis de suportar, as alegrias multiplicam-se. O amor acaba por curar todos os males e numa altura em que há tantas rupturas amorosas e divórcios talvez seja o derradeiro acto de resistência bater o pé, ir contra a corrente dominante e acreditar nas palavras de Virgílio "O amor vence tudo".

Paula Gouveia

 

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