Enfrentar a rejeição
16 May 2019 · 2 min read

Estamos biologicamente e socialmente programados para sermos aceites. Dependemos dos outros para nos sentirmos bem, cuidados e amados. Esta necessidade é flagrante na infância em que a nossa sobrevivência está totalmente nas mãos dos nossos familiares mas nunca deixa realmente de se evidenciar. Quando conhecemos o seu inverso, a rejeição, é um processo geralmente doloroso que pode ter consequências muito nefastas para a psique.
A rejeição pode assumir diferentes formas: ser abandonado(a) pelos progenitores, não conseguir fazer amigos, não ser correspondida no amor ou ter ter um parceiro(a) que simplesmente deixe de gostar de nós, não caber na roupa que escolhemos, não ser contratado(a) depois de uma entrevista de trabalho e por aí adiante. Todas elas causam conflitos internos e mazelas em maior ou menor grau. O nosso coração é como que feito de vidro que se estilhaça e sentimos que ficamos a ter de apanhar os cacos.
Mesmo sem reparar formamos crenças limitantes relativas ao nosso potencial como se não somos amados é porque não temos valor ou não somos bons o suficiente. Deixamos que o nosso ânimo se esvaia gradualmente. A única forma que conheço de lutar contra esta tendência negativa é assumir o poder que delegámos a outrem, o controlo do que pensamos e de como agimos. Se não nos tratam de uma forma justa ou digna, temos de nos convencer que isso não diz nada sobre nós mas tudo sobre essas pessoas.
Temos de encarar cada rejeição não como um beco sem saída, uma espécie de parede contra qual chocámos com força colossal, mas sim como um degrau que é suposto subirmos para aprendermos algo. Nada na vida é em termos categóricos é um fracasso, tudo pode ser uma lição.
Em última instância, se tivermos uma mentalidade não fixa mas de crescimento, em que não vemos as coisas como um jogo de tudo ou nada, deixamos espaço para todas as matizes de cores belas da vida, para que possamos desenvolver todo o potencial que temos dentro de nós.
Paula Gouveia
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