Dar a volta por cima
11 March 2020 · 2 min read

Os obstáculos vão inevitavelmente surgir no nosso caminho. Não é uma questão de se, é mesmo de quando. É uma questão de estarmos preparados para transformar dificuldades em oportunidades. Oportunidades para quê podemos perguntar? De facto há dias em que não apetece levantar da cama, em que queremos correr as persianas da janela do quarto para a luz não entrar, em que nos sentimos tão vazios e sem esperança, que nem sabemos por onde começar a dar a tão falada "volta por cima".
Reagir com positivismo nem sempre é fácil, às vezes entramos num modo de sobrevivência tão rígido que só queremos ver mesmo o que está à nossa frente, ignorar os problemas ou não ir até à sua origem porque sabemos que se o fizermos, vamos sofrer e toda a gente quer evitar a dor.
Na minha óptica, não estamos aqui apenas para sobreviver, como se andássemos numa roda de hamster a uma velocidade alucinante e tivéssemos de continuar a pedalar num reflexo automático para não sermos triturados pelas realidades cruéis da vida. Não estamos aqui para sermos infelizes, para vivermos assustados e nervosos o tempo todo, como se todas as situações fossem questões de luta ou fuga, cruciais para continuarmos a existir.
Estamos aqui pura e simplesmente para aprender e desfrutar. Por isso é que os obstáculos de que falei no início são tão importantes: são oportunidades de ouro para crescer. E se conseguimos transformar uma adversidade que nos pode potencialmente quebrar e destruir em algo que nos expande, nos torna melhores e mais versáteis, sabemos que tudo valeu a pena e que temos mérito. Não temos de procurar o nosso valor nos outros, podemos dar uma palmada no próprio ombro e dizer que estivemos à altura, que estivemos bem.
Num mundo que quer tudo para ontem e que recorda com muito mais facilidade os erros do que os acertos, pelo viés cognitivo que temos em relação aos dados negativos, a que damos primazia, é natural termos medos infundados ou desproporcionais relativamente aos obstáculos que enfrentamos. Afinal, ninguém sabe o que se encontra para lá de uma pedra no caminho, do absoluto desconhecido.
Temos de ter a calma e capacidade de auto-reflexão necessária para sabermos quem somos de forma auto-consciente e aprofundada, a capacidade de arriscar e a coragem para dar o salto, mesmo que possamos cair ou perder. É só a partir de um passo de fé, de que tudo vai entrar novamente nos eixos que poderemos tomar de novo uma rota ascendente. É através desse pequeno primeiro passo que podemos superar as más fases e agonias interiores e dar verdadeiramente a volta por cima.
Paula Gouveia
Imagem retirada de: https://www.youtube.com/watch?v=mJN7sZGthvEThis article hasn't been translated to English yet — showing the original Portuguese version.

