Cinco dicas para voltar a juntar as peças da vida
22 August 2020 · 3 min read

Quando as peças da nossa vida saem do lugar, como um jogo de dominó que se acabou de desmoronar, temos tendência a apontar circunstâncias externas e a perguntar-nos o que teria acontecido se tivessem sido diferentes. Perdemos tempo a dissecar cada erro, a culpar uma miríade de factores, caindo com frequência em amargura e arrependimentos.
Para que as peças soltas se voltem a unir e a fazer sentido, temos de andar para a frente e nunca para trás. O passado só nos pode ensinar até certo ponto, até se tornar uma situação de pensamentos ruminantes e disfuncionais porque em nada vão beneficiar a nossa saúde mental e a gestão equilibrada das nossas emoções.
É sobre esse processo de reestruturação e de resignificação que gostaria de falar. Tudo depende dos óculos com que escolhemos ver a nossa realidade, que lhe podem consignar brilho ou escuridão. Sabemos que nada é totalmente cor-de-rosa, que há sempre imprevistos desagradáveis, problemas e contrariedades com as quais temos de aprender a lidar.
Para colocar de volta essas peças da vida que se foram soltando, como algo partido ou fragmentado dentro de nós compilei cinco dicas que considero úteis:
1_ Aceitação, o que não implica baixar os braços e desistir de lutar mas simplesmente dar o espaço ao sofrimento, à desilusão, ao luto, o que quer que esteja de sentir, dentro de si. Não tente apressar processos naturais e reconheça que apesar de sentir que algo não está no lugar certo, não significa que vai ficar dessa forma para sempre. Não tem como ficar pois a vida é uma constante mudança e evolução, pelo que terá de manter a perseverança e mais importante de tudo, a esperança.
2_ Coloque-se questões. Faça esse trabalho de escavar bem fundo no seu interior para tentar perceber o que está fracturado ou em falta mas não espere obter as respostas de imediato. Tudo estará eventualmente dentro de si mas tudo chega também no seu devido tempo, não pode saltar etapas que são normais no questionamento humano e no auto-conhecimento. De modo análogo à dica interior, não se deixe afundar pela angústia de pensar que nunca terá o que procura. A parte mais importante já a está a fazer, o resto virá por acréscimo.
3_ Livre-se de pressões desnecessárias: A vida já é suficientemente stressante para colocarmos padrões de exigência tão elevados que o perfeccionismo se revele uma prisão da qual não nos consigamos libertar e as coisas que gostávamos de fazer nos deixem de trazer alegria e satisfação. Vai ver o quanto acaba por simplificar as coisas quando se permite fazer as pausas necessárias, recarregar as baterias, olhar qualquer situação, por mais complexa que seja, não ao detalhe mas sim em perspectiva e ver que afinal não é assim tão importante e que os únicos assuntos de vida ou de morte são unicamente os de vida ou de morte.
4_ Apoie-se nas amizades: A ajuda dos outros é essencial para se reinventar enquanto ser relacional em contacto próximo com os seus semelhantes. Partilhe o que está a pensar com quem merece a sua confiança, combine programas interessantes, seja criativo e procure não guardar tudo para si, para evitar bloqueios emocionais e que mais peças se soltem pelo caminho, partes de si que depois terá o dobro do trabalho para recuperar. Não se feche por mais que o isolamento lhe possa parecer confortável e uma boa opção. Comunique aquilo que sente e pensa com honestidade e pode vir a surpreender-se com os resultados.
5_ Agarre-se àquilo que lhe transmite força, vontade de abraçar desafios, de se superar. A única maneira de vencer, como se diz na sabedoria popular, é cair ao chão sete vezes e levantar-se oito. Não tenha medo de nada do que esteja a acontecer consigo e avance, com fé e coragem pois viver, é em si mesmo, o seu maior ato de bravura.
Paula Gouveia
Créditos da imagem: https://unsplash.com/photos/iuuOm3DtaoUThis article hasn't been translated to English yet — showing the original Portuguese version.
