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A sobrecarga dos nossos dias

8 August 2026 · 2 min read

A sobrecarga dos nossos dias

Os tempos de concentração da maior parte dos humanos são cada vez mais curtos com as constantes notificações do telemóveis ou outras distrações que já categorizámos como normais no nosso quotidiano. Mas será que são mesmo?

Será que é ideal ou mesmo desejável andarmos a mil, com o cortisol altíssimo, a tentar enfiar cada vez mais tarefas numa lista já de si infindável ao mesmo tempo tempo que deixamos de priorizar o nosso bem-estar?

Os estímulos são cada vez maiores: a informação, o entetenimento, os jogos, as aplicações, a moda que nos entra pelos olhos adentro via anúncios publicitários (ou numa das referidas aplicações), os filmes, as séries televisivas ou de streaming que se produzem cada vez em maior quantidade. Tudo convida ao excesso, ao consumo, à falta de espaço para pensar e pôr as ideias em ordem. É como estar preso na proverbial linha de montagem de "Os tempos modernos" (1936) em que Charles Chaplin se move desesperadamente sem dar conta do recado.

E o recado que a sociedade nos parece pedir é ser cada vez mais maquinais: a Inteligência Artificial automatiza tarefas mas no meu entender isso não significa que vamos deixar de trabalhar mais horas. Outras forças que falam mais alto sempre se movem nos bastidores.

As emoções para quem vive nesta sobrecarga de ter de regular o sistema nervoso constantemente são o aspeto mais delicado, que tanto podem ser a cereja no topo do bolo como tornar-se uma autêntica tempestade num copo de água.

De duas coisas tenho a certeza: "Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro despera", uma citação atribuída ao psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).

A outra é uma citação antiga "Se o que tens a dizer, não é mais belo que o silêncio, então cala-te". Talvez seja uma boa forma de terminar esta reflexão.

Paula Cristina Gouveia

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