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A nostalgia de como era antes

10 May 2020 · 2 min read

A nostalgia de como era antes
 

A vida é uma viagem que nos traz frequentemente a sensação agridoce de querermos que tudo voltasse a ser como era no passado, que nos faz pintar os momentos que já vivemos com cores mais alegres do que foram na realidade. É assim quando vemos na televisão bailes de finalistas, casamentos ou cerimónias de queima de fitas; em suma: todos aqueles dias que é suposto terem sido inesquecíveis, ficando para sempre marcados na nossa memória.

Temos nostalgia da uma vida mais simples e confortável da infância, com uma sensação calorosa de segurança. Temos nostalgia da adolescência, dos primeiros amores, do grupo de amigos do Secundário, daquela viagem com a família, de uma praia, de um cheiro, de um animal de estimação, do que for.

É fácil, especialmente nos tempos que correm, pensar que antes é que era bom e não o sabíamos. Éramos mais jovens, é verdade mas a idade traz uma maturidade e experiência que não têm preço e não poderíamos obter de outra forma.

Não se pode voltar em voltar à normalidade, estamos num ponto sem retorno tanto como indivíduos como enquanto habitantes deste planeta. Podemos sim tomar as medidas necessárias para que daqui para a frente os nossos dias serem mais plenos, mais produtivos, mais saudáveis, porque o caminho faz-se sempre caminhando.

Acontece termos nostalgia até do que nunca vivemos e é aí que todo este conceito se torna perigoso porque é como se fossemos espectadores de vitrina, a achar que a relva do vizinho é sempre mais verde que a a nossa. Olhamos com ressentimento, amargura e, porque não dizê-lo, com ciumes e inveja a felicidade e sucesso alheio e sentimos sempre que estes recursos são escassos e que não podem simplesmente chegar para toda a gente. Que a abundância é uma ilusão e a falta a única realidade. Que temos sempre de competir, que nunca podemos relaxar e permitir-nos ser simplesmente ser quem somos.

Enquanto pensarmos assim não vamos valorizar o que temos mesmo diante de nós, os nossos olhos apesar de abertos não conseguirão ver toda a sorte, todas as nossas bênçãos permanecerão não reconhecidas, o que apenas aumentará a nossa dor. Se queremos mudar alguma coisa no mundo, temos de mudar a nossa maneira de pensar pois é ela que ajuda a construir a nossa realidade mais imediata.

O passado não existe mais, o futuro é uma promessa, o agora é o verdadeiro presente.

Paula Gouveia

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