A estrela que nos guia
8 December 2019 · 3 min read

De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? São tudo questões demasiado complexas para responder com facilidade e espelham as incertezas que fazem parte das nossas vidas. Num mundo feito de insegurança em que nem o amanhã é garantido, surge a vontade de nos recolhermos dentro de nós, de accionarmos mecanismos de defesa mesmo antes de qualquer ataque ter sido desferido. Ninguém quer sofrer e todos querem proteger o ego. Afinal é mais fácil prevenir as feridas do que sará-las e o orgulho ferido é das dores mais incomodativas que existem porque nos faz pôr em causa toda a nossa individualidade e as características que nos dão brilho e alento.
Muitas das respostas às perguntas que a vida nos coloca estão dentro de nós. No nosso interior escondem-se muitos tesouros. Mas algumas não estão e temos de ter consciência das dimensões que não controlamos, de que somos parte de um todo que é muito superior a nós.
Temos de ter uma estrela que nos faça ver a luz mesmo quando tudo é escuro à nossa volta, que oriente os nossos passos, que dê lustro aos nossos sonhos, que conforte o nosso coração quando estiver cansado, partido ou simplesmente dorido. Que nos faça recordar sempre que existe algo para além dos nossos dilemas e problemas, em que se pode respirar encantamento, alegria e esperança.
Não podemos cansar-nos de sonhar, temos de arregaçar as mangas e ir à luta porque é ao que conseguimos com esforço que damos o maior valor. Não precisamos de estar na quadra natalícia para sentir este espírito de procura de harmonia e sintonia dentro de nós mesmos. O Natal pode ser todos os dias se soubermos reconhecer os sinais que a vida nos vai dando.
A estrela que nos guia é a nossa motivação, interior e externa, é que o damos e recebemos do Universo e é desse jogo sagrado que se faz a nossa jornada. Não é só o espelho enquanto material físico que nos devolve o nosso reflexo. O mundo também o faz porque cada coisa que fazemos se reflecte nele. Cada acção tem uma reacção e cada comportamento a correspondente consequência. Trata-se de equilibrar bem os pratos da balança, avaliar escolhas, pesá-las devidamente e tomar as decisões que podem revelar-se erros mas com os quais vamos aprender. Os nossos erros serão sempre nossos, feitos para serem os nossos melhores professores.
Estar alinhado com o nosso propósito, com a nossa razão para fazer as coisas, permite-nos continuar mesmo que tudo à nossa volta pareça desmoronar. Permitir-nos-à semear bondade, olhares ternos e sorrisos por onde quer que passamos. Porque tudo o que vale realmente a pena constrói-se aos poucos, sem pressas, sabendo que é mais doce aquilo pelo qual esperámos o tempo suficiente. Afinal, não se pode dizer ao dia para nascer mais cedo ou uma flor para desabrochar de forma mais veloz.
O livro das nossas histórias é feito de muitos capítulos e não podemos saltar nenhum, a sequência tem um ritmo certo, orgânico e natural, que exige paciência, perseverança e capacidade de resiliência. De superação.
As dificuldades não estão aqui para sempre. Por isso mantém os olhos fixos na tua meta e faz dela o teu céu, deixa-te guiar por ela e faz de todas as distracções apenas barulho de fundo. Ouve a voz da tua estrela, dorme com ela nos teus pensamentos, respira-a em cada inspiração e verás que tudo o que procuras está ao teu alcance, que já é teu tudo o que tens procurado porque sempre tiveste a tua estrela.
Paula Gouveia
Crédito da foto: https://unsplash.com/photos/OVO8nK-7RfsThis article hasn't been translated to English yet — showing the original Portuguese version.
