Doença mental não é um defeito
6 de novembro de 2026 · 2 min de leitura

Foto de Milad Fakurian na Unsplash
Se antes as doenças mentais eram atribuídas a causas morais ou traços de carácter, no século XX surge o sistema de diagnóstico formal que as define, categoriza e trata, nomeadamente o DSM (Manual Diagnóstico de Doenças Mentais) da Associação Americana de Psiquiatria.
Se por um lado é um alívio saber o que é há de errado connosco, que há um nome clínico em concreto, isso não apaga o facto de cada caso ser um caso e de cada ser humano se estar a tornar alguém a integrar todas as facetas de si próprio, no que Carl Gustav Jung chama o processo de individuação.
Depois há a tendência de a sociedade adjetivar várias situações com doenças mentais ou neurológicas, o que no mínimo acho pouco sensível para as pessoas abrangidas pelas mesmas. Termos como "Visão autista" ou "Estar num dia bipolar" para mim não se justificam quando temos tanto vocabulário que o explicaria melhor sem ofender nem melindrar ninguém.
Por último, a tendência para excluir, desvalorizar o problema, varrê-lo por debaixo do tapete como se não fosse uma realidade. Até que um órgão de comunicação social faça uma manchete sensacionalista a dizer que pessoa x com depressão matou y e por aí fora. Aí as doenças mentais, silenciosas, um pouco como os vegetais em que as crianças pequenas não querem tocar muito menos comer, são amplificadas. São feitas especulações. Montam-se, às vezes, painéis de especialistas para perceber o que terá acontecido.
A resposta é que todos somos pessoas e não é uma doença mental, como já disse neste artigo que aumenta em nada a probabilidade de sermos pessoas perigosas. O resto são construtos sociais e económicos, resíduos de séculos de História.
Magoa o estigma. Magoa a forma como somos encarados. Se calhar até magoa mais a forma como às vezes nos encaramos a nós próprios, como desejamos por milésimos de segundo que tudo pudesse ter sido diferente. Mas doença mental mental não é defeito, não é impeditivo de planear, de sonhar, de nos alegrarmos, de soltarmos uma gargalhada. De tentarmos ser felizes. É para isso que existe a Humanamente. Querem saber mais? Assistam o vídeo abaixo:
Paula Cristina Gouveia
