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A metáfora mental do cavalo e do cavaleiro segundo a Psicologia

7 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

A metáfora mental do cavalo e do cavaleiro segundo a Psicologia

Foto de Ben Wicks na Unsplash

aqui falámos da metáfora mental do cavaleiro e do cavalo usando uma lente filosófica para explicar a sua génese. Agora vamos estabelecer a sua relação com a Psicologia, usando a Teoria Estrutural da Personalidade (1923) de Freud).

Para Freud, Pai da Psicanálise, no aparelho psíquico o cavalo funciona como uma analogia do que se chama de Id, o Isso. É o potente, o impulsivo, movido por energia própria. Representa as pulsões e desejos inconscientes e a força instintiva bruta. O Id é guiado pela satisfação imediata de todos os impulsos e necessidades biológicas sem qualquer noção de moral, tempo ou consequências. Opera segundo o Princípio do Prazer.

O Eu/Ego são simbolizados pelo cavaleiro que está na posse da razão e do controlo e tenta literalmente direcionar o cavalo. No entanto, enfrenta um entrave já que a força do animal é maior. Atua como mediador, ou seja, tenta satisfazer os desejos do Id de acordo com as regras do mundo: o que for seguro, realista e socialmente aceitável.

Há ainda outra componente o Superego (ou Super Eu) que é a nossa bússola moral e se divide em consciência (que nos pune quando erramos) e o Ideal do Ego (o modelo de perfeição que aspiramos a ser).

Aqui podemos falar de cedência e compromisso. Nem sempre o cavaleiro, segundo Freud, vai conduzir o cavalo para onde ele quer ir, de forma a garantir a sua sobrevivência (que não dê uma queda ou tenha de se separar do animal). Com isto temos que o inconsciente (Id) muitas vezes domina o nosso consciente (Ego).

O cavaleiro tem assim, apenas ilusão da direção que pode tomar e o seu poder é também limitado, controlando o cavalo pelas próprias estruturas sociais e ambiente.

Numa altura em que muito se fala de não perder a cabeça, a metáfora mental do cavaleiro e do cavalo aplicada à Psicologia continua bem atual e ilustra bem a relação entre o que é mais intuitivo, emotivo e visceral em nós e a luta pelo racional, pelo que é mais ponderado e eventualmente mais lúcido.

Paula Cristina Gouveia

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