A metáfora mental do cavalo e do cavaleiro
20 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Foto de Helena Lopes na Unsplash
A metáfora mental do cavalo e do cavaleiro tem origem na Antiga Grécia, pela mão de Platão e procura explicar a alma humana. Ele usou inclusive uma biga (carroça de guerra) que expõe no Mito da Biga Alada em "Fédon".
Nesta obra, a razão é personificada pelo cavaleiro que quer ir para o Céu e praticar as qualidades da verdade, moderação, virtude, temperança, entre outras.
O cavalo branco, também chamado de emoção nobre, é obediente e deixa-se domar com facilidade. Simboliza o Espírito, é corajoso, justo, digno e cheio de sentimentos elevados. O cavalo preto, porém, é o instinto primitivo, é rebelde, tenta puxar a carruagem para baixo em direção aos prazeres terrenos e carnais, representa pecados como gula, luxúria, ganância ou preguiça.
Conduzir bem os cavalos é um desafio constante, segundo Platão, uma tensão entre a gratificação instantânea do cavalo preto e as qualidades que podem não ser fáceis de cultivar mas darão dividendos a longo prazo como o dever e honra do cavalo branco.
No estoicismo, a pessoa através do autocontrolo e do domínio férreo sobre a sua vontade consegue resistir a vícios, impulsos e usar a razão a seu favor. Os estoicos defendiam que apesar de não podermos mudar o que nos acontece, podemos escolher como reagimos a cada circunstância; como seguramos na rédeas do nosso cavalo.
A vida passa muitas vezes por tentarmos praticar ao máximo o autoconhecimento, seja a mente consciente, capacidade de discernimento, intelecto como o lado mais inconsciente (hábitos automáticos, instintos, impulsos, entre outros).
Focar-se em governar bem os pensamentos, tentar não ceder perante momentos adversos de forma a não perder o controlo externo reveste-se de uma importância vital.
O cavalo é a nossa força, energia e força bruta. Reage ao medo, à dor e ao prazer impulsivamente. O cavaleiro tem a visão lógica do caminho, planeia, pensa e pondera o futuro.
Com o cavaleiro no comando o cavalo deve ser guiado até à direção certa com firmeza mas também gentileza.
Com o cavalo no comando este pode correr sem rumo e causar um acidente.
Então, entre a força do cavalo e o rumo que o cavaleiro quer tomar tem de desenhar-se um perfeito equílibrio.
Paula Cristina Gouveia
