Um espectáculo de outono: o céu de Novembro de 2026 em Portugal
2 de novembro de 2026 · 3 min de leitura

Com a chegada das noites mais longas e frescas de novembro, o firmamento oferece-nos uma excelente oportunidade para abrandar o ritmo e olhar para cima. Para os entusiastas da astronomia e para todos os curiosos que simplesmente apreciam a beleza de uma noite estrelada, o penúltimo mês de 2026 reserva surpresas fascinantes que podem ser observadas de norte a sul de Portugal, desde que nos afastemos um pouco da iluminação urbana.
As estrelas cadentes de outono: taurídeos e leónidas
Novembro é tradicionalmente um mês generoso em chuvas de meteoros, permitindo-nos assistir ao rasto luminoso deixado por pequenos fragmentos comecários que se incendeiam ao entrar na atmosfera terrestre.
Logo no início do mês, entre os dias 4 e 5 de novembro, os Taurídeos do Sul atingem o seu pico, seguidos pelos Taurídeos do Norte por volta de 11 a 12 de novembro. Esta chuva dupla destaca-se não pela quantidade estrondosa de riscos luminosos — contabilizando habitualmente entre 5 a 10 meteoros por hora —, mas sim pela peculiaridade dos seus rastos. Os meteoros dos Taurídeos são conhecidos por viajarem a velocidades mais lentas e exibirem um brilho intenso, originando por vezes impressionantes bólidos (bolas de fogo) que cruzam o céu nocturno. Como a fase da Lua nos primeiros dias do mês é favorável e pouco intrusiva, as condições em território português prometem ser excelentes para desfrutar destas "estrelas cadentes" mais pacíficas.
A meio do mês, a atenção desvia-se para as famosas Leónidas, cujo pico de atividade está previsto para a noite de 17 para 18 de novembro. Associadas aos detritos deixados pelo cometa Tempel-Tuttle, as Leónidas são célebres na história da astronomia pelas tempestades esporádicas que já protagonizaram em séculos passados. Para 2026, não se prevê uma tempestade colossal, mas sim uma atividade moderada que pode render cerca de 15 meteoros por hora. Tratando-as de partículas que entram na atmosfera a velocidades muito elevadas, os meteoros das Leónidas surgem como riscos fulgurantes e velozes. O conselho prático para os observadores em Portugal é aguardar pelas horas em que a Lua se põe ou procurar zonas de observação com o horizonte desimpedido para maximizar as capturas visuais.
O grande final: um encontro celestial no fim do mês
Se as chuvas de meteoros exigem paciência, o encerramento do mês de novembro brinda-nos com um espetáculo planetário de grande destaque visual a olho nu. Por volta do dia 30 de novembro de 2026, desenhar-se-á uma impressionante conjunção celeste.
A Lua minguante aproximar-se-á visualmente de dois gigantes do nosso sistema solar, Júpiter e Marte, formando um belo alinhamento acompanhado por Régulo, a estrela mais brilhante da constelação do Leão. Este tipo de proximidade aparente resulta da perspetiva geométrica a partir da Terra e oferece um momento extraordinário tanto para a contemplação desarmada como para a astrofotografia amadora. Os observadores em Portugal poderão desfrutar deste quadro vivo nas horas que antecedem o amanhecer ou logo no início da noite, bastando olhar para a direção adequada para identificar este grupo brilhante.
Dicas práticas para observar em Portugal
Para aproveitar ao máximo estes fenómenos astronómicos sem sair do país, siga estas recomendações simples:
Fuja da luz artificial: Procure locais escuros, como áreas rurais, reservas de céu escuro ou zonas protegidas com baixos níveis de poluição luminosa.
Dê tempo aos olhos: Demora cerca de 20 a 30 minutos até a nossa visão se adaptar totalmente à escuridão. Evite olhar para o ecrã do telemóvel durante esse período.
Agasalhe-se bem: As noites de novembro em Portugal já trazem o frio típico do outono, especialmente em zonas descampadas ou elevadas.
Olhar para o céu é uma das formas mais antigas e enriquecedoras de nos ligarmos ao cosmos. Em novembro de 2026, reserve uns minutos, afaste-se das luzes da cidade e deixe-se deslumbrar pelo espetáculo silencioso do universo.
António Piedade
Bioquímico e Comunicador de Ciência

