O céu de agosto de 2026
7 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

O início deste mês ficou marcado pela presença do planeta Mercúrio na sua maior elongação (afastamento relativamente ao Sol) para leste.
Ao final da noite de dia três, a Lua e o Saturno nasceram em simultâneo junto à constelação dos Peixes. Quem perdeu este evento tem uma nova oportunidade de vê-lo na noite de dia trinta.
Na madrugada de dia seis, a Lua atingirá a sua fase de quarto minguante, uma altura em que o ângulo de incidência da luz do Sol ajuda a realçar o relevo lunar.
Entre a madrugada de dia sete e o dia doze veremos como a Lua se irá aproximando ao poucos do Sol, passando pelo aglomerado estelar das Plêiades (ao final da madrugada de dia seis), e junto aos planetas Marte (na madrugada de dia nove) e Mercúrio (no dia onze). Por estes dias iremos encontrar a Lua alinhada com os planetas Júpiter, Mercúrio e Marte.
No dia doze a Lua atingirá fase de Lua Nova, por tal acontecer junto ao plano da órbita terrestre dará origem a um eclipse solar o qual, por ocorrer dois dias depois da Lua ter atingido o seu perigeu (ponto mais baixo da sua órbita), será total. A faixa de totalidade (i.e., região do planeta donde o Sol está completamente tapado pela Lua) descreverá uma curva que vai das regiões árticas russas, passando pela Islândia e percorrendo norte da Península Ibéria. A região de Rio de Onor, será a única parte do nosso país donde o eclipse será total. Nesta região do país o eclipse terá início pelas dezoito horas e trinta e três minutos, atingindo a totalidade pelas dezanove horas e mais (a qual ai durará vinte e cinco segundos) e terminará pelas vinte horas e vinte e quatro minutos. No resto do país o eclipse apenas será parcial, sendo que no Porto verão 98% do disco solar tapado pela Lua, 94% em Lisboa e 93% em Faro. Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores a porção do disco solar coberta será ainda menor (rondando os 80%) sendo que na Madeira o eclipse terá início pelas dezoito horas e quarenta e oito minutos, e nos Açores pelas dezassete horas e meia (variando de ilha para ilha).
De notar que, dada a proximidade do pôr-do-sol, esta efeméride ocorrerá muto perto do horizonte (a cerca de uma dezena de graus aquando do início do evento). No entanto devemos resistir à tentação de observar diretamente ao Sol, ou usar qualquer equipamento que não esteja devidamente homologado para o efeito (como óculo de sol ou vidro fumados) sob pena ter de danificar-se gravemente, de forma irreversível, os nossos olhos. A única ocasião em que é possível olhar diretamente para o Sol é durante a fase de totalidade, tendo em conta que esta terminará subitamente.
Nas horas a seguir a este evento reservar-nos-ão mais um espetáculo: o pico de atividade da chuva de estrelas Perseidas, pequenas rochas e poeiras libertadas pelo cometa 109P/Swift-Tuttle, cujo ponto de origem aparente situa-se junto da constelação do Perseu (daí o seu nome). A ausência da Lua, devido a encontrar-se na fase de Lua Nova, irá facilitar a observação destes objetos. Teoricamente, em locais muito escuros poder-se-iam observar pouco menos de uma centena de meteoros por hora. No entanto a poluição luminosa omnipresente nos nossos dias fará com que este número possa ser uma ordem de grandeza inferior.
No dia quinze será a vez do planeta Vénus atingir a sua maior elongação para leste, sendo que ao início dessa noite, veremos como a Lua ser irá aproximando aos poucos deste planeta.
Na madrugada de dia vinte a Lua atingirá a sua fase de quarto crescente. No entanto apenas a conseguiremos observar junto à estrela Antares ao final desse dia.
Na madrugada de dia vinte e oito terá lugar a Lua Cheia. Nesta ocasião a interposição da Terra entre a Lua e o Sol apenas dará origem a um eclipse lunar parcial, i.e. aqueles em que a umbra terrestre (i.e. onde o Sol é totalmente tapado pela Trra) apenas cobrirá 96% da superfície lunar. Esta efeméride será observável em todo o país, tendo início pelas duas horas e vinte minutos (hora continental) e prolongando-se até pouco depois das sete horas da manhã.
Boas observações!
Fernando J.G. Pinheiro
Astrónomo e Comunicador de Ciência
Figura: céu a oeste pelas dezassete horas e meia de dia doze. Igualmente é visível o radiante da chuva de estrelas Perseidas. (imagem adaptada de Stellarium)

