Armamar desafia a geografia da ciência: 111 cientistas reúnem-se num concelho rural do Douro
24 de setembro de 2026 · 3 min de leitura

Cento e onze cientistas, quarenta Estações de Ciência e dezenas de áreas do conhecimento vão convergir em Armamar para a maior edição de sempre da Noite Europeia dos Investigadores construída neste território rural.
Para além dos números, a singularidade da NEI-Armamar vai além da programação pontual: nasceu em Armamar, é coordenada por uma associação local e resulta de um trabalho desenvolvido durante todo o ano com escolas, investigadores, jovens e organizações da comunidade.
No dia 25 de setembro, entre as 17h00 e as 23h00, o Pavilhão Desportivo de Armamar recebe o evento central, com mais de 100 investigadores. Das ciências exatas e da engenharia às ciências da vida e da saúde, das ciências naturais e ambientais às ciências sociais e humanas, o programa coloca diferentes formas de conhecimento em diálogo com o território e com as perguntas da sua comunidade. Ao longo de 40 Estações de Ciência, os visitantes poderão procurar novos antibióticos, explorar o fundo do oceano, descobrir o impacto dos microplásticos, experimentar inteligência artificial e robótica, investigar emoções, conhecer o passado através da arqueologia, levar um brinquedo à clínica e discutir os desafios e as possibilidades de futuro dos territórios rurais. Em termos esquemáticos, o "menu" do evento é o seguinte:
Que mundo quer descobrir?
- Saúde, corpo e bem-estar;
- Microorganismos, alimentação e sentidos;
- Natureza, ambiente e sustentabilidade;
- Tecnologia, inovação e futuro;
- Territórios, sociedade e participação;
- Ciência, escola e património;
- Espaço, física e universo.
O programa inclui ainda o espaço «Escolas com Ciência», a Parede-Manifesto, as «Missões de Ciência» em formato digital e o «Adopta um/a Cientista», através do qual alunos do ensino secundário do agrupamento de escolas local acompanharão os cientistas nas Estações, colaborarão nas atividades e conversarão sobre os seus percursos académicos.
Na semana anterior decorreu no Centro Interpretativo da Mulher Duriense a observação do céu com telescópios.
“Em 2023, criámos a NEI-Armamar para construir uma relação duradoura entre a ciência e o território e abrir à comunidade novas formas de nela participar. Quatro edições depois, há investigadores que regressam, escolas que alargam as suas redes e jovens que passaram de visitantes a organizadores. Os 111 investigadores tornam hoje visível a força da rede científica e comunitária que Armamar foi capaz de construir”, afirma Raquel Branquinho, investigadora, natural de Armamar e presidente da ARMA-Sci – Rede de Promoção do Capital Científico de Armamar.
Este ano, 16 jovens, entre atuais e antigos alunos do Agrupamento de Escolas Gomes Teixeira, integram a organização do evento, assumindo responsabilidades na preparação do evento, no acolhimento das equipas, na mediação com o público e na comunicação da ciência, através de um projeto financiado pelo IPDJ à ARMA-Sci.
Desde 2023, a NEI-Armamar registou mais de 1200 participações. Sob o tema europeu «Unir Conhecimentos, Transformar o Futuro» e o lema local «Onde há ciência, há Armamar», a edição de 2026 mostra o que pode acontecer quando uma comunidade participa na construção da ciência.
A NEI-Armamar é promovida e coordenada pela ARMA-Sci – Rede de Promoção do Capital Científico de Armamar, em colaboração com o Agrupamento de Escolas Gomes Teixeira e o Município de Armamar.
