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Apresentação do livro “Fotografa a minha alma através da minha escrita” de Beatriz Marques Moura

20 de fevereiro de 2026 · 3 min de leitura

Apresentação do livro “Fotografa a minha alma através da minha escrita” de Beatriz Marques Moura
  A apresentação da obra supracitada, da autoria de Beatriz Marques Moura, de apenas 18 anos, decorreu no dia 14 de fevereiro de 2026, na Biblioteca Municipal de Nelas António Lobo Antunes, às 16h00. O Presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, começou: “Estamos num momento particular de arte, literatura e cultura. É uma autora local, jovem, a emoção sobe de tom para além do patamar dos afetos para o de excelência. É nos jovens onde vamos encontrar a relevância e é para mim um regozijo encontrar esta sala apinhada de gente”. A professora de Português Clotilde Santos, que assina o prólogo do livro, diz-se muito grata à autora e destaca “a beleza exterior e interior da Beatriz com uma mente inteligente e um coração emocional, que cuida com amor incondicional”. É referido que Beatriz tem uma estreita relação com os familiares e se lembra de todos os professores e amigos, tendo alcançado vários feitos como fazer parte do Conselho geral escolar por mérito e do clube do teatro, mostrando o seu saber fazer e sentido de dever. Para a autora “escrever um livro é sempre um desafio”, pois levanta várias inseguranças como se outros escrevem melhor que nós ou se somos descompensados. Assim, escrever é expor e recuar sob o fio da navalha”. A professora Clotilde Santos acrescenta que este livro é uma prova de “suavidade, erudição e arte e sobretudo que podemos aprender uns com os outros para que a vida de todos seja melhor”. Beatriz revela que escreveu o livro num momento de dificuldades a nível pessoal, de altos e baixos, mas que se descobriu maleável, capaz de sentir muito, mas também de procurar muito. A seguir subiu ao palco a professora Aurora Morais, que Beatriz teve dos 6 aos 10 anos e que a descreve como uma aluna muito aplicada, organizada, com uma aversão à caneta vermelha. De uma coisa Beatriz está certa: quer o futuro se traduza em mais livros ou expressar-se noutros formatos; seja no teatro, seja no papel, tem de fazê-lo com alma.  

Recensão crítica de “Fotografa a minha alma através da minha escrita” de Beatriz Marques Moura

  A ideia do nosso interior como algo passível de ser traduzido por imagens, por uma visão de qualquer tipo, é um conceito possivelmente milenar e um título maravilhoso para uma primeira obra literária. Para quem passou anos a expor-se como atriz num clube de teatro escolar, revelar-se agora como poetisa é adicionar mais uma camada de identidade enriquecedora. Neste livro, o sujeito poético está no olho da tempestade, que pode ser uma alusão à transição da adolescência para uma idade de maior maturidade. A autora faz várias referências literárias que orientam a leitura dos poemas desde Clarice Lispector, Chico Buarque e Fernando Pessoa, que parecem servir como leme para os poemas em si também. Dividido em três secções: “Saudade”, “Opressão”, “Autossabotagem”, fala-se, entre outros temas, de nostalgia de infância, de dor que aprisiona e também dos momentos em que não gostamos de quem somos. Mas acaba por ser o desconhecido e o mistério que se evidenciam como força de propulsão. “Fotografa a minha alma através da minha escrita” é um livro que merece ser lido mais do que uma vez, pois os seus significados não se esgotam, os poemas são poderosos e vibrantes e consistem numa dádiva a todos os leitores.

Paula Cristina Gouveia

 

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