Saúde: só damos valor quando a perdemos?
13 de outubro de 2026 · 2 min de leitura

Muitas vezes damos por nós a relembrar os bons velhos tempos em que tínhamos mais agilidade, elasticidade ou simplesmente nos aguentávamos a dançar uma noite toda quando agora já não saltamos vedações nem subimos às árvores nem conseguimos ser madrugadores. Avançar na idade implica ganhar novos hábitos e também novos condicionalismos e limitações.
É um facto que quando somos saudáveis muitas vezes não pensamos na sorte que é ver o mundo, que é efetuar um determinado movimento, que é ter paladar e comer a nosso gosto (sem ser alimentado por tubos de hospital por exemplo), que é ouvir vezes seguidas as nossas músicas favoritas para afinarem a nossa disposição.
Quando as mãos começam a tremer, os joelhos a doer, quando sofremos uma fratura lombar ou um acidente vascular cerebral e somos forçados a aprender tudo de novo, percebemos que a doença não é apenas o oposto de saúde e o estado em que ninguém quer estar. É uma lição de humildade, não somos imortais e não é suposto vivermos para sempre neste corpo, se mais cedo ou mais tarde, vais colher as suas mazelas.
Ao passar pela fonte luminosa da minha vila, várias cores podiam ter sido captadas pela minha máquina fotográfica: calhou o verde que frequentemente é associado à saúde. Tal fez-me refletir: se dou mais valor a uma pulseira depois de a ter perdido e ao sofrimento do que aos momentos alegres, será que o mesmo não se está a passar com a minha saúde.
Preocupar e queixar-se raramente levam a lado algum. Pensar demais sem ação é o mesmo que dar pérola a porcos porque não resultará em nada frutífero. Lamentar-se sem pensar em mudar a mínima coisa que seja é igualmente inútil e enquanto isso, ao olharmos pelo espelho retrovisor, esquecemos de olhar em frente. Esquecemos de sentir gratidão pelos momentos bons e pela saúde que ainda temos. E agradecer é essencial, não por um qualquer pensamento mágico ou de manifestação, mas porque nos faz bem, ajuda a ver as coisas por outra perspetiva e quem sabe, até sorrir.
Paula Cristina Gouveia
