O mito da escassez e a abundância interior
22 de setembro de 2026 · 1 min de leitura

Foto de Susn Matthiessen na Unsplash
Numa disciplina de Neuromarketing analisávamos o comportamento humano na ótica do consumidor e um dos gatilhos que faz uma pessoa querer comprar um produto é a escassez, ou seja, anunciar-se que são os últimos exemplares disponíveis ou algo do género.
Há quem diga que já vivemos numa distopia mas ainda não perdemos a capacidade de pensar e resistir a estes impulsos, por mais básicos que sejam. A escassez leva-nos a comprar de imediato aquele champô ou aquele par de calças que se tinha esgotado no stock porque temos a sensação de que podemos ficar outra vez sem. Ou então podemos açambarcar bens essenciais, como se viu durante a fase de pandemia levados exatamente pelo mesmo princípio.
A escassez diz-nos que não há tempo suficiente no dia, que já é tarde demais para seguir os nossos sonhos, que toda a alegria se esgota, que todas as boas pessoas são insuficientes e que até a vida é um empréstimo, um tributo que devolveremos no final.
A abundância (e dependendo da espiritualidade de cada um) acredita no tempo divino que se contrai ou expande consoante a energia que colocamos nas coisas que fazemos, que teremos sempre novas oportunidades de recomeçar, que a paz serena e o autoconhecimento estão ao nosso alcance, que há bem um pouco por todo o lado e que a vida extravasa os conceitos de consumo ou de tributo. Viver em si, com amor e propósito é um ato revolucionário. Que possamos pensar, para além da publicidade e da Inteligência Artificial, do entretenimento inebriante, controlar o que for possível no nosso destino e confiar relativamente ao resto que sementes em terreno fértil darão boas colheitas.
Paula Cristina Gouveia
