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Nunca desistas

30 de setembro de 2019 · 2 min de leitura

Nunca desistas

Imagem retirada de: https://unsplash.com/photos/RP6Ba_6U154

 

Ninguém disse que seria fácil e que num estalar de dedos teríamos toda a felicidade com que sonhamos. A vida atira-nos bolas curvas com as quais muitas vezes não sabemos lidar e que nos servirão de aprendizagem, para nos fortalecer e fazer ver que tudo é demasiado curto, efémero e passageiro e temos de agarrar o aqui e agora.

As preocupações apenas nos ocupam e fazem sentir que estamos no controlo de alguma coisa quando na verdade não estamos. Não no que realmente importa que é o próprio privilégio de estarmos vivos. No entanto, isto não significa que não devemos assumir as nossas responsabilidades e tentar mudar quando efectivamente temos capacidade para o fazer.

Neste Setembro amarelo em que está em foco a prevenção do suicídio é importante mais do que nunca mostrarmos compreensão perante o sofrimento dos outros, dos quais nada ou pouco sabemos.  É importante passarmos esperança porque essa é realmente a última a morrer.

Porque temos tanto medo de dizer as palavras que mais significado têm para nós? O que nos impede de ser corajosos e de começar a construir essa vida com que tanto sonhamos? O que são verdadeiras limitações e o que são simples desculpas? Podemos adiar o tempo que quisermos mas chegará uma altura em que nos veremos confrontados com aquilo que não estamos a realizar e seremos forçados a perscrutar o nosso interior e apurar o que se passa mesmo lá dentro.

Temos tendência a evitar a dor, a anestesiá-la com o que estiver mais à mão porque não queremos sentir o que nos incomoda e faz agonizar. É um instinto natural ao ser humano, esta negação do que o magoa e de procurar insistentemente o prazer. O importante é passarmos da plateia das nossas vidas para o palco principal, pararmos de nos encarar como meras vítimas a que tudo de mau acontece e passarmos a ser as protagonistas da nossa história. Afinal, a vida é 10%  o que nos acontece e 90% como reagimos a esses acontecimentos. Nas nossas atitudes e comportamentos é que está a diferença.

Nunca penses que estás completamente sozinho e abandonado à tua sorte. Nunca penses que ninguém te pode deitar à mão e que ninguém te ama. Por mais que te perguntes o porquê de tanta dor e achas que não consegues aguentar mais, resiste um pouco mais. Nunca desistas porque o mundo precisa de ti e daquilo que só tu possuis e lhe podes acrescentar. Estar vivo é um privilégio, vai para além da mera existência e transforma-se numa experiência de plenitude e alegria quando abrimos completamente o coração.

Acredita que a felicidade não acontece só aos outros. Que também tu podes ser feliz se ficares em vez de partir, se insistires em vez de desistires, se transformares toda a dor que tens dentro do peito num amor que se torne redentor.

Paula Gouveia

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