Neurodivergência e dispraxia
21 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Foto de NATHAN MULLET na Unsplash
Por neurodivergência entende-se quando o cérebro funciona de forma diferente do que é considerado padrão considerado típico a nível social.
Como já falámos aqui, ser neurodivergente pode advir de variações neurologicas e cognitivas naturais e é fulcral aceitar essas formas únicas de aprendizagem, concentração e interação com o mundo.
O autismo é apontando como diferenças, entre outras coisas, no processamento de estímulos sensoriais, o transtorno de hiperatividade e défice de atenção fala-se em como manter o foco e controlar impulsividade, na dislexia e discalculia registam-se modos fora de comum de processar a escrita, leitura ou matemática.
Dentro dessas condições encontra-se também a dispraxia, termo que etimologicamente vem do grego dyspraxia que significa dificuldade em executar ações ou atividades normais.
Em termos gerais, esta perturbação de neurodesenvolvimento afeta a coordenação e a capacidade do cérebro de planear, organizar e executar movimentos. Manifesta-se na coordenação motora fina (escrever, desenhar, usar talheres, abotoar camisas, entre outros), coordenação motora grossa (equílibrio, correr, atirar uma bola, saltar), organização e espaço (pode levar a tropeços, esbarrar em objetos ou ter má orientação temporal ou espacial) e por último, fala. Neste último caso, carateriza-se pela afeta-se dos músculos da boca e o ritmo da fala (dispraxia verbal).
Claro que há sempre medidas interventivas de apoio como a terapia ocupacional, fisioterapia e acompanhamento especializado. O objetivo é treinar os movimentos corporais, aumentar a autonomia, a força, afinar a postura, melhorar e o equílibrio e, recorrer à terapia da fala caso se revele necessário em termos comunicacionais.
As medidas de inclusão para pessoas com dispraxia, classificada em Portugal como uma Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação (PDC) ou Perturbação da Coordenação Motora (PDCM), são múltiplas. Visam a organização, ergonomia e flexibilidade.
No ambiente de trabalho é importante disponibilizar tecnologia de apoio (software de ditado), hardware adaptado (como ecrãs tácteis), permitir a digitalização da escrita, o espaço físico bem sinalizado e sem obstáculos e gestão de tempo feita com bom senso sem pedidos urgentes de última hora.
Nas instituições de ensino medidas como tempo extra para realizar as provas, deixar os alunos gravarem as explicações, permitir material específico como cadernos com linhas bem espaçadas e em Educação Física avaliar mais a participação, a compreensão das regras e o esforço realizado do que agilidade e destreza física.
A nível de comunicação e interação procure dividir por escrito tarefas longas em curtas, de forma direta, como se estivesse a dar instruções passo a passo. Seja previsível já que uma mudança de rotina pode desestabilizar o aluno.
Promova a empatia e o respeito para a diferença, para que a pessoa se sinta motivada a continuar e a afirmar-se num mundo que nem sempre vê a neurodivergência e neste caso particular, a dispraxia, com a atenção, cuidado e carinho que merece.
Paula Cristina Gouveia
