Kit de primeiros cuidados
24 de fevereiro de 2019 · 2 min de leitura

Ouvimos falar praticamente todos os dias da virtude da constância, da paciência e da perseverança, máximas que acredito serem muito úteis e que tento aplicar na minha vida diária, tanto pessoal quanto profissional.
Se os nossos projectos, seja de que dimensão forem, acabam por ser uma extensão de nós, a verdade é que nem sempre nos dedicamos a eles como gostaríamos, da mesma forma que temos tendência a negligenciar partes de nós que precisam de cuidados.
O medo e bloqueios diversos levam a melhor e não conseguimos questionar o que é tão forte quanto irracional. O fracasso não nos deveria assustar tanto: é sinal de que tentámos ir para além das limitações, da finitude dos horizontes no sentido de atingir qualquer tipo de crescimento e evolução.
Não devemos aspirar a ter um caminho fácil mas sim a ter a quantidade certa de provas, testes e obstáculos que nos permita desenvolver a nossa força e resiliência e estar preparados para enfrentar o nível seguinte. Precisamos de acreditar que temos todas as armas de que precisamos para sair vitoriosas de qualquer batalha, que tudo está dentro de nós.
A essência das coisas é simples quando sabemos separar o mero entulho mental do que é verdadeiramente importante. Para destralhar, a organizadora profissional japonesa Marie Kondo, aconselha guardar apenas o que nos traz alegria. Com o nosso processo de pensamento deve-se passar algo semelhante, o de termos capacidade de ver os pensamentos que nos fazem bem, que nos fazem brilhar de dentro para fora dos que nos roubam energia ou são mesmo tóxicos.
O kit de primeiros cuidados consiste em saber escutar verdadeiramente o nosso corpo e dar-lhe o que nos pede, é perdermos-nos no meio da natureza quando a mente está num turbilhão porque Deus colocou a sua farmácia nela. No fundo é apenas ter consciência do que colocamos dentro do nosso corpo a nível nutritivo e como nos tratamos com as nossas palavras e actos para que tudo possa estar no lugar certo. É fazer aquilo que amamos, é respirar enchendo os pulmões profundamente de ar, é deitar a cabeça na almofada todas as noites com uma sensação de tranquilidade e de que fizemos o melhor por nós nesse dia que poderíamos ter feito. É sermos os nossos melhores amigos e os melhores amigos sabem não só analisar, julgar e aconselhar mas também mimar e acarinhar. É essa auto-estima e amor próprio que devemos a nós mesmos para o resto das nossas vidas. Que merecemos.
Paula Gouveia
