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Faz-te a ti mesmo

16 de fevereiro de 2021 · 4 min de leitura

Faz-te a ti mesmo
 

É sobejamente conhecida a expressão inscrita no Templo de Delfos "Conhece-te a ti mesmo", atribuída a Sócrates. De facto, é crucial conhecer o mais profundamente possível quem somos porque só isso nos permitirá estabelecer objetivos e metas bem como erguer pontes para nos relacionarmos com as outras pessoas. É através da nossa subjetividade e métrica pessoal que avaliamos tudo o que acontece à nossa volta e lhe atribuímos significado.

Tal como reza o resto do aforismo acima mencionado, conhecer o Universo e os Deuses, implica autoconhecimento, que não vem se não examinarmos profundamente as nossas virtudes e defeitos, as nossas preferências e ódios de estimação, as nossas esperanças e medos, aquilo em que acreditamos de todo o coração e aquilo que nos soa a falso. Este olhar atento e profundo exige capacidade de ser audaz e corajoso pois não sabemos exatamente o que vamos encontrar e muitas coisas podem mesmo não ser agradáveis à primeira vista. No entanto, é um caminho necessário para chegarmos a uma verdade maior.

Por mais que nos amparemos nas pessoas que são testemunhas da nossa jornada, esta será sempre inescapavelmente solitária pois só a nós pertence. Afinal, nascemos sozinhos e morremos sozinhos e ninguém melhor que nós pode saber o que nos move, o que ambicionamos e também o que nos atormenta e entristece. Como tal, temos de abraçar a singularidade do que é estar vivo sem saber exatamente o que devemos fazer e descobrir todos os dias algo novo, que nos abra horizontes.

Se não tivermos a capacidade de nos fazermos a nós mesmos, os outros transformar-nos-ão a ser bel-prazer. Vão dispor do nosso tempo, dos nossos recursos, dos nossos talentos para alcançar os seus fins, sem necessariamente ter uma noção de justiça e de consideração pela nossa pessoa. Se não procurarmos o equilíbrio interior e procurarmos sempre as soluções mais rápidas, vamos viver sempre numa paz precária e frágil que pode ser perturbada tão facilmente como um sopro de vento forte espalha as folhas caídas no Outono.

É normal viver com um certo grau de instabilidade e de caos dentro de nós, especialmente nestes dias duros e desafiantes em que vivemos, mas como se diz muito ultimamente, se algo nos custa a nossa paz de espírito então é demasiado caro. Não podemos ficar acomodados na dor e assumir a passividade como a nossa melhor resposta padrão. Temos de reagir, questionar o porquê das coisas e fazer um esforço para conseguir ver para além do que é imediatamente atirado para a frente dos nossos olhos.

Até certo ponto, somos obrigados a cumprir as leis que a sociedade nos impõe mas também temos um espaço para tomar as nossas próprias decisões e fazer as nossas próprias regras. Devemos usar do livre arbítrio para conhecer ainda mais as nossas paixões e simplesmente o que nos tranquiliza e nos faz sorrir pois nada é mais valioso do que a nossa felicidade. E, quando parece que o mundo inteiro nos pressiona a ir por determinada via, tomar o tempo que for preciso para nos conectarmos com os nossos instintos, com o que vai dentro do nosso coração, pois a sua voz saberá dizer-nos o rumo a tomar.

Nada está fixo na pedra, continuamos sempre a crescer ao longo do tempo e determinados aspetos da nossa identidade mudam também. Podemos aproveitar a oportunidade de melhorar a cada dia que passa. Não basta proclamar a quatro ventos quem queremos ser ou o que queremos fazer, temos de agir. Como disse o filósofo Nietzche "Torna-te naquilo que és".  Sê capaz de perceber as forças dentro de ti e ao teu redor, conhece o máximo que puderes e não deixes de buscar, de indagar, de te mover em direção ao que almejas. Faz a tua vida de acordo com os teus princípios e com os teus próprios critérios, independentemente da validação da sociedade. Descobre o que é desejável para ti, pois só isso se vai trazer a confiança, a disciplina e a motivação necessárias para levantar da cama todos os dias e lutar, mesmo quando tens vontade de baixar os braços e desistir.

E, mais importante que tudo para de te comparar com os outros pois se estás nesta vida para correr a tua própria corrida, só poderás ir longe se em vez de olhares constantemente para o lado, focares o olhar em frente. Naquilo que precisas, naquilo que estás a fazer, naquilo que és. E quando te conheces, quando reges a tua vida de acordo com aquilo que crês, agindo em conformidade com o que pensas, estás um passo mais próximo da alegria duradoura.

 

Paula Gouveia

  Imagem retirada de: https://unsplash.com/photos/_mIXHvl_wzA

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