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Entrevista com a pintora Joana David com a exposição "Emoções Bucólicas" na Biblioteca Municipal António Lobo Antunes

16 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Entrevista com a pintora Joana David com a exposição "Emoções Bucólicas" na Biblioteca Municipal António Lobo Antunes
  Joana David é uma artista plástica e ilustradora natural de Aveiro que se dedica tanto à criação artística como à formação de novos talentos. Estudou na Academia de Belas Artes de Aveiro e o desenvolveu uma linguagem visual própria. com um estilo ancorado na tradição artística portuguesa e na exploração de técnicas mistas, pintura e ilustração. Foi formadora da Portuguese Academy of Fine Arts e tem participado em numerosas exposições. Fez ainda uma residência artística na Finlândia. É cofundadora da Art Academy, com David Serra, em Tábua, dedicado ao ensino artístico, experimentação visual e promoção cultural. Organiza ainda eventos que facilitam o diálogo entre criadores e público. "Emoções bucólicas", que poderá ser visitada na Biblioteca António Lobo Antunes, em Nelas, até ao final do mês de agosto é um convite a regressar ao mundo dos nossos ancestrais. "A memórias de infância remota e rural, em que a labuta humana e animal operava em perfeita sinergia com a Natureza"descreve a artista. Fomos conversar com Joana David para saber as suas inspirações e como a Arte pode influenciar a nossa saúde mental, aplicando-se aí o conceito de Arte terapia.    

1. Joana, como começou o seu gosto pelas artes plásticas e pela ilustração?

JD: Creio que o gosto pela Arte começou na mais remota infância, num gesto tão instintivo e natural que não me lembro do seu início, arrisco dizer que já nasci com este gosto na Alma. No que toca à ilustração, apaixonei-me pela possibilidade de criar histórias e mundos fantásticos capazes de extrapolar o mundo visível, possibilitando uma conexão harmoniosa entre o mundo das imagens e o mundo das letras.  

2. Quais os artistas que mais influenciaram a sua formação?

  JD: Essencialmente encontro inspiração nos Mestres do Naturalismo Português, tais como Carlos Reis, Silva Porto, Henrique Medina, José Malhoa, entre outros. Recordo-me perfeitamente do primeiro “Pintor a sério” que conheci, ainda na infância, o José Rodrigues dos Santos, meu conterrâneo, que pintava fielmente as paisagens do Rio Caima. Mais tarde, ingressei na Academia de Belas Artes de Aveiro, onde obtive formação profissional com o Mestre David Serra, onde aprendi e aprimorei as mais diversas técnicas de Desenho e Pintura. Quanto a artistas internacionais, tenho especial apreço por Ivan Aivazovsky, Rose Bonheur e Albert Edelfelt.  

3. Esta exposição, “Emoções bucólicas”, remete à natureza, a paisagens campestres e aos seus trabalhadores, pessoas que podiam ser nossos avôs ou avós. Há também um quadro que lembra “O menino da lágrima”. Pode-nos falar um pouco da apresentação deste trabalho?

  JD: A exposição de pintura Emoções Bucólicas, foi concebida com o propósito de evocar reminiscências da infância, remota e rural, tão transversal ao povo português. As artes e ofícios aqui representados, bem poderiam ser os nossos pais ou avós, numa tentativa singela de trazer à vida, de delongar esses instantes fugazes, mas tão plenos, em que a labuta humana e animal operava em perfeita sinergia com a Natureza. Os nossos ancestrais ainda vivem nessas memórias, ainda que se evolem aos poucos nas areias do tempo, mas o legado permanece... É curioso ter referido uma obra que apresenta algumas semelhanças com “O menino da lágrima”, apesar de não ter sido propositado, após uma observação mais atenta percebi que as crianças do antigamente, as quais gosto particularmente de representar, tenham quase sempre um ar bastante grave e pesaroso, daí a inevitável semelhança. Essas gentes e crianças anónimas merecem viver um pouco além do efémero, e serem transformados em Arte. Foi esse o meu intento.  

4. O que faz, na sua opinião, alguém ser um bom ilustrador, um bom artista plástico?

Para além de uma técnica rigorosa e a busca constante de aprimoramento, definitivamente é a “Alma” e a intenção que pretendemos transmitir, esse quesito de “plasmar” na tela ou no papel as emoções é de uma importância ímpar.  

5. Como vê a ligação entre a arte e a saúde mental; a arte pode ser terapêutica?

Absolutamente! A arte e a terapia são a meu ver indissociáveis, no meu caso particular, para além de ser a minha profissão, sinto que, por vezes é uma forma bastante salutar de abstração e até de meditação. Como pedagoga na área, verifico também que os alunos, outrora depressivos, ou com ansiedade, défice de atenção, espectro autista e afins, encontram na arte um refúgio e uma ferramenta que lhes permite abordar a vida com mais alegria e até eficiência, atenuando os sintomas característicos. Encontram uma regulação emocional na Arte, e é extremamente gratificante verificar esta transformação. A Arte é, portanto uma verdadeira e bastante colorida terapia, recomendo vivamente!      

Paula Cristina Gouveia

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