Dias sem sol
9 de outubro de 2026 · 1 min de leitura

Há dias em que o sol não brilha no nosso coração. Em que não queremos ver, não queremos sentir, não queremos pensar. Não vamos indagar a nossa força ou fraqueza, as nossas vicissitudes ou virtudes, os nossos defeitos ou qualidades. Não vamos perguntar coisa nenhuma porque talvez já esteja mesmo tudo escrito, nas linhas da mão ou do nosso ADN.
Os fantasmas famintos do vício seja a codependência ou de substâncias podem perseguir-nos em qualquer lugar, na luz ou no escuro, acordados ou no nosso sono. Não querem mais nada para além de toda a nossa paz e sossego e nós concedemos-lhe o que de mais valioso temos sem hesitar.
Tudo na vida podemos perder, múltiplas vezes, nada é realmente nosso e, no entanto, nunca deixamos de quedar-nos em absoluto espanto quando isso acontece. Achamos que não é legítimo quando na verdade há leis maiores que superam o nosso entendimento.
Sejamos francos: há dias realmente difíceis. Paridos na dor do início ao fim e desprovidos de qualquer delicadeza, de qualquer compaixão e misericórdia para com os bons sentimentos humanos. A vida pode ser muito dura mas também é rara e a coisa mais bela que existe.
O vento enregela-nos e ficamos confusos, tudo sai dos eixos, as entradas e as saídas, nada tem lógica. Porém há sempre um sentido, mesmo quando a alegria do mundo parece te querer abandonar, nunca te abandones. Aguarda pacientemente pela tua vez. Porque há sempre uma vez para a sorte mudar. Para ser feliz.
Paula Cristina Gouveia
