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Contradições

26 de outubro de 2026 · 2 min de leitura

Contradições

Foto de Trophim Laptev na Unsplash

Todos perseguimos a vontade de viver uma vida que nos faça sentido, que esteja em ordem, que nos traga paz, que nos traga alegria. E se formos o tipo de pessoa que acorda com uma disposição soalheira e se deita melancólica ou vice-versa? Que muda de ideias mil vezes por dia ou demora eternidades a decidir-se sobre os factos mais prosaicos do quotidiano? E se um dia queremos fazer tanta coisa que é como se quiséssemos devorar o mundo, tê-lo aos nossos pés e no momento seguinte já perdemos o ânimo, o estado de fluxo, a energia e caímos tristes e desanimados? E se fossemos completamente incoerentes?

Mas pior que isso: se a guerra na nossa mente se agravar e tivermos sonhos, muitos sonhos que entram em contradição uns com os outros? A falta de controlo sob o nosso destino, sobre o que será melhor ou pior deixa-nos ansiosos e pode levar até a insónias severas. Porque só uma parte da nossa vida está nas nossas mãos, tudo o podemos fazer é dar tudo o que temos no nosso interior, o resto não depende de nós. Não é passar noites em claro a fazer conjunturas como se tratassem de equações com diferentes variáveis que vai mudar hipóteses, probabilidades ou resultado final.

Todos somos únicos. Todos temos as nossas peculiaridades, com caminhos mais ou menos lineares, com mais motivos para chorar ou para rir. É normal errar, cair em contradição, deixar de querer o tal sonho que se almejou desde a infância. Ou então perceber que mesmo com a passagem dos anos ele continua vivo, não se alterou e não interessa se vai entrar em conflito com o que quer que for. Uma contradição não deixa de ser uma contrariedade que se ultrapassa avaliando, montando uma estratégia na altura certa quando se tiverem todos os dados e não a sofrer por antecipação e provavelmente a causar danos à saúde pelo meio.

Há alturas em que a vida é como o xadrez. Temos de saber muito bem as regras mas também ser visionários para quando chegar o momento, fazermos a jogada certa.

Paula Cristina Gouveia

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