Construir novas pontes
17 de maio de 2020 · 2 min de leitura

Dizem que a sobrevivência não é da espécie mais forte mas de quem melhor se adapta e de facto nunca os tempos nos exigiram maior capacidade de ser flexível, de fazer face aos improvisos da melhor maneira possível e de saber escolher as nossas batalhas para podermos vencer a guerra.
Este não é o ano que imaginávamos, nem de longe nem de perto, quando comemos as doze passas à meia noite. Em muitos aspectos é pior, virou os nossos planos do avesso, destruiu sonhos e fez-nos pôr em causa muita coisa. A pergunta que se deve colocar é: e agora? o que podemos fazer para que tudo melhore?
Somos obrigados a usar máscaras na rua mas já as tínhamos usado antes quando não revelávamos o que realmente queríamos, quando nos ocultávamos sobre falsos pressupostos e redes de segurança. O que a pandemia fez foi quebrar completamente todos estes subterfúgios, romper com tudo o que nos protegia e abrirmos à realidade que teimávamos em não olhar. Passámos a pessoas que usavam máscaras no desempenho dos seus variados papeis sociais para as terem de usar literalmente. O desafio atual é de perseverar a empatia, a compaixão e humanidade quando o contacto físico continua vedado ou com sérias restrições.
Se examinarmos com atenção a nossa vida, veremos que em um outro aspecto, queimámos pontes. Com pessoas, com situações, com metas que almejávamos. Não será esta a altura ideal para ver exactamente onde errámos, o que correu mal e tentar fazer as pazes, senão com as pessoas que possamos ter magoado, connosco mesmos? Viver em estado de tranquilidade interior é algo que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar, por isso reconcilie-se com a pessoa que foi, analise os momentos que o transformaram na pessoa que é agora e pense nos passos que o podem tornar uma pessoa melhor.
Grandes desafios exigem um grande sentido de responsabilidade e de capacidade de agarrar as oportunidades. No fundo, trata-se de estar à altura das circunstâncias. Nunca nos vamos sentir totalmente preparados para nada na vida, muito menos para problemas que nunca antecipámos em primeiro lugar. Mas não há nada como resolver um de cada vez, com calma, foco, dedicação e paciência. Não é por acaso que a paciência é uma virtude.
As pontes constroem-se tijolo a tijolo, sob a chuva e sob o sol com uma determinação tão forte como os materiais que geralmente estão na sua base e tudo o que é bem feito, acabará por nos trazer bons proveitos. Por isso não tema as intempéries, o desconforto, a dor, tudo faz parte do processo, e comece a construir a sua ponte. Agora.
Paula Gouveia
Créditos da foto: https://unsplash.com/photos/Rdj2HK4Q9mg