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Como desatar os nós emocionais

4 de abril de 2021 · 4 min de leitura

Como desatar os nós emocionais
 

Emoção pressupõe movimento. Como disse o psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung "Não há mudança da escuridão para a luz e da inércia ao movimento sem emoção". É, portanto, primordial para o ser humano ter a capacidade de sentir, de dar um qualquer tipo de ordem às suas emoções e de encontrar sentido para as mesmas. De fazer da sua paisagem mental um caos controlado.

No entanto, nem sempre é assim. Há alturas em que nos sentimos totalmente estagnados, como se não conseguíssemos mais absorver e organizar o que está à nossa volta, como se a vida tivesse parado. Um conjunto de emoções assola-nos e sentimo-nos desconectados do que possam sequer significar, como se a nossa essência nos fosse totalmente estranha e estivéssemos a olhar para nós do lado de fora.

Essa sensação de perda de ligação com a nossa identidade, com o que nos cerca e com o nosso propósito, é muito aflitiva porque é como se o comboio tivesse partido sem nós ou abandonássemos a carruagem a meio do trajeto. Não sabemos como voltar a pôr a nossa vida no lugar. É como se se formassem nós na nossa cabeça e tivéssemos perdido a habilidade de pensar com clareza: de olhar com serenidade o passado, com lucidez o presente e com os olhos da esperança o futuro. É o que eu passo a chamar neste artigo de nós emocionais, que nada têm a ver com compromissos sentimentais mais sim com as emoções que parecem tão imóveis como ar que não circula.

Se está a debater-se com essa sensação persistente, deixo cinco princípios que podem ajudar a contrariar este curso menos bom de perceções e pensamentos:

1_ Critique e questione o que está a sentir_ A dúvida é o princípio da sabedoria e muitas vezes somos enganados pela nossa mente que com o seu viés negativo ou ansioso, nos diz que não estamos a fazer progressos nenhuns quando na verdade, mesmo não sendo um movimento expressivo, continuamos em frente. Não se deixe abater por pensamentos demasiado punitivos, ruminantes ou de autocensura. Seja gentil consigo mesmo(a).

2_ Respeite e honre o seu corpo_  Se está focado em otimizar o seu desempenho profissional, por exemplo, pode sentir-se incrivelmente frustrado(a) quando não atinge a produtividade máxima, especialmente se a sua identidade está muito veiculada ao seu trabalho e àquilo que faz. Procure dar-se a si mesmo(a) tempo para simplesmente ser, de nivelar as suas expetativas e desfrutar de momentos simples do dia-a-dia. Vai haver alturas em que o corpo lhe pede para abrandar o ritmo e revela a necessidade de mais autocuidado e descanso e não deve sentir-se mal em proporcionar-se exatamente isso.

3_ Não sinta medo de ficar para trás_ Vivemos provavelmente na sociedade mais tensa de sempre, com níveis de stress em média muito altos, que todos os anos têm custos elevados principalmente em termos da nossa saúde. Na pressa de sermos os melhores o mais rápido possível, fazemos cedências e sacrifícios que muitas vezes vão contra os nossos valores e princípios e ficamos doentes, física, mentalmente e espiritualmente. Caminhe ao ritmo do seu próprio tambor, resista às armadilhas da comparação, de olhar para o lado para ver como os outros se estão a sair, aproveite a jornada em tudo o que tem para lhe oferecer e não tenha medo da rejeição pois é preferível ser aceite como realmente somos do que na base de uma mentira e não há maior luxo na vida do que poder viver a sua verdade.

4_ Comunique_ É um adágio muito importante e transversal a vários problemas nas relações inter e intrapessoais. Partilhe com pessoas do seu círculo de confiança o que está a sentir, pois uma avaliação externa, mais objetiva, pode ser muito benéfica e permitir-lhe ver aquilo que não está a conseguir no momento, os chamados pontos cegos. Todos temos os nossos e a opinião dos outros, em doses saudáveis e de forma construtiva, permite tornar-nos pessoas melhores e recuperar a motivação quando ela parece ter-se desvanecido. De igual modo, busque o autoconhecimento e saiba comunicar consigo mesmo(a) através de um diálogo interno meigo e compassivo. As palavras têm poder, pelo que tenha cuidado com aquilo em que escolhe acreditar e procure nutrir a sua fé, confiança e otimismo.

5_ Continue sempre a mover-se_ O ditado diz que é mais difícil atingir um alvo em movimento e apesar de não ser fácil prosseguir quando não nos sentimos bem, muitas vezes as peças da vida só se vão encaixar ao irmos em frente, isto é, só mais tarde é que compreendemos a real magnitude de episódios em que possamos ter passado por provações, sofrimentos ou traumas. Não tenha medo do que acontecerá se der um passo na direção errada, tenha medo de permanecer sempre no mesmo lugar. Busque desafiar-se, evoluir e aprender pois a aprendizagem é das coisas mais prazerosas da vida e a sua única constante.

Permita-se fluir com as suas emoções, sejam elas quais forem e logo verá que os nós começam a desatar-se e acede a um patamar diferente, não necessariamente mais fácil, mas certamente mais alinhado com as suas metas e com a sua verdadeira natureza.

 

Paula Gouveia

  Créditos da foto: https://unsplash.com/photos/NPFbGaazlrk

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