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As coisas que perdemos diariamente

23 de outubro de 2026 · 1 min de leitura

As coisas que perdemos diariamente

Foto de sammy swae na Unsplash

Apegamo-nos às coisas, agarramo-nos a elas com tanta força, com tanta firmeza que chegamos a nos magoar. Apegamo-nos às pessoas, é muito duro, extremamente difícil quando nos escapam por entre os dedos. Queremos controlar todas as situações para que tudo corra de acordo com os nossos planos, iludindo-nos que assim for tudo ficará bem e seremos felizes.

Seremos felizes se tivermos um carro do último modelo, a família considerada perfeita ou sacos de compras cheios todos os dias. Seremos felizes se pudermos sentir-nos livres e satisfazer os nossos desejos mais imediatos. Será mesmo assim?

Cada vez se torna mais delicado abdicar à gratificação instantânea num mundo que nos imunda com tudo o que poderíamos humanamente sonhar. Não nos podemos esquecer que viver é aprender a renunciar a algumas coisas para escolher outras e que nada nos pertence em permanência, nem a nossa própria vida, que será a nossa última entrega.

Cada sacrifício vale a pena na medida em que lhe atribuirmos significado, em que consigamos identificar que a felicidade não é só definida pela ausência de dor, é um conceito de múltiplos sentidos que variam de pessoa para pessoa.

As coisas que perdemos numa base diária? A capacidade de reparar realmente, por estarmos tão ensimesmados nos nossos problemas muitas vezes não prestamos atenção, não escutamos o que as palavras que nos dizem querem verdadeiramente dizer, não estamos em estado de presença porque estamos a antecipar mil e um cenários que podem ou não realizar-se.

O que perdermos diariamente talvez seja a possibilidade de sermos felizes.

Paula Cristina Gouveia

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