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Aprender com os erros

10 de junho de 2020 · 2 min de leitura

Aprender com os erros
 

Ouvimos várias vezes exortações a que nos superemos a nós próprios e nos tornemos melhores. Que vivamos cada dia como se estivéssemos a ser observados. Mas, no final de contas, é o que fazemos quando ninguém está a observar que realmente conta. Somos capazes de ajudar o próximo sem esperar nada em retorno? Somos capazes de tentar contribuir para uma sociedade mais justa, mesmo que não retiremos nenhum benefício imediato disso e possamos mesmo enfrentar represálias?

O facto é que vivemos tempos conturbados a nível de saúde, de política, de economia e de sociedade. Todas as esferas que estão no âmago do nosso modo de vida foram afectadas e não há maneira de voltar para trás ou de fingir que não vemos as verdades que nos foram reveladas de forma bem crua e evidente

Fazendo uma transposição directa da nossa actuação enquanto pessoas públicas para a nossa vida privada, podemos dizer que para além de as iniquidades se terem tornado intoleráveis, se olharmos com honestidade para as nossas acções vamos perceber que há falhas, que há inevitavelmente erros. Afinal, não há nada tão profundamente humano como errar.

A questão não é perguntarmos-nos quando é que os erros vão acontecer. A questão é se saberemos como reagir, lidar com eles e tomar a atitude certa que é tirar lições do que nos aconteceu e não voltar a repetir o mesmo padrão de comportamento que não nos levou a lado nenhum. Por vezes erramos ao tentar agradar a toda a gente, ao não sabermos estabelecer prioridades e limites claros, por não ousarmos viver a nossa verdade. Erramos ao omitir factos por medo das consequências, de ficar um sabor amargo nas nossas bocas.

Erramos quando nos pomos sistematicamente em último lugar e só quando mal conseguimos gerir o stress e ser funcionais é que nos lembramos de nós e que talvez não fosse má ideia lutar pelos nossos sonhos, pelos nossos interesses e cuidar um bocadinho do nosso bem-estar.

Sei que a maioria das pessoas vê o tempo livre como um luxo a que não se pode permitir, as horas são sempre escassas e as obrigações mais que muitas. No entanto, aproveitar nem que sejam uns meros minutos para descomprimir, ter esses oásis só nosso, pode realmente, fazer a diferença.

Não queremos errar pela vida como se peregrinássemos num deserto emocional, com os reservatórios interiores completamente vazios. E para evitar que esse poço fique vazio, nada melhor que o ir abastecendo regularmente com experiências novas, com alegria, com esperança. O maior dos erros será sempre esquecer-se de investir em si mesmo.

 

Paula Gouveia

  Créditos da foto: https://unsplash.com/photos/5D2af8aFE5k

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