Entrevista a Nuno Queiroz: Correr para sensibilizar para as doenças raras

 

Nuno Queiroz, também conhecido por Nuno Mara, tem 45 anos, é natural de Oliveira do Bairro (Bairrada) e residente em Viseu nos últimos anos “Saí para uma experiência no estrangeiro (1996), regressei em 2016 (experiencia duradoura) e estabeleci como residência Viseu, uma cidade que me cativou pela qualidade de vida e pela forma como me receberam. Tenho orgulho em todos os meus amigos viseenses!”.

Atleta amador, foi recentemente notícia por ter corrido 220 quilómetros, pela Estrada Nacional 16, com o intuito de sensibilizar para as doenças raras. A corrida solidária, que se realizou de 22 a 25 de Abril, entre a fronteira de Vilar Formoso e Aveiro, teve ainda como objetivo angariar fundos para a Associação “Ajudar a Amparar Os Príncipes de África”, fundada por Hamilton Costa, que visa enviar bens essenciais para São Tomé e Príncipe.

Ao cumprir quatro ultramaratonas em quatro dias, Nuno Queiroz pretendeu aliar a solidariedade à consciencialização social para as mais de 7000 mil doenças raras, sendo que uma delas, a ataxia, afeta um dos pilares da sua vida, o seu pai.

Em conversa com a revista Humanamente, o atleta fala-nos da importância da sensibilização do público em geral, da solidariedade e o que o motiva a correr todos os dias.

 

“A corrida, é a forma que encontrei de equilibrar o corpo e a mente!”

 

 1. Como surgiu a ideia de correr para sensibilizar para as mais de 7000 doenças raras?

Infelizmente estamos a assistir a uma evolução muito rápida (demasiado rápida) de novas doenças raras, recentemente foi descoberta mais uma, a Síndrome Multissistémica Inflamatória Pediátrica (uma complicação rara da Covid-19). Todos recordamos igualmente o caso mediático da jovem Constança Bradell, que fez um apelo desesperado nas redes sociais! São mais de 7000 os motivos que me levam a “Correr para alertar e sensibilizar”!

2. O seu pai sofre de ataxia. Para quem não conhece, em que consiste essa doença?

Vou tentar explicar de uma forma que todos possam entender. Vamos imaginar que a zona do cerebelo (parte traseira da cabeça, elo de ligação do cérebro com o corpo) é uma “centralina” de um automóvel! É composta por milhares de circuitos e cabos. De repente a proteção dos cabos, perde a sua principal função (isolar) começam as “interferências” na comunicação entre a “centralina” e o “motor”! Como consequência o “motor” fica “descomandado”! Em resumo quem sofre de ataxia cerebelosa, tem grandes dificuldades na coordenação dos movimentos, dificuldades na articulação verbal, problemas de deglutição, falta de força muscular, dormência ou formigueiro, aumento do tónus, etc.. Não existe uma cura, apenas terapias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

3. O que representa a corrida na sua vida e como se preparou para estes 220 kms?

Para mim a corrida, é a forma que encontrei de equilibrar o corpo e a mente! É uma sensação de bem-estar! A preparação passava por acumular quilómetros. Não existe uma fórmula mágica. Foi quando assumi o compromisso de correr todos os dias uma média de 33km, preparei as sapatilhas e depois do trabalho ia treinar debaixo do lema “Abril kms 1000”! Este objetivo não foi atingido, terminei o mês com 789 o que dá uma média diária de 26km, mas todo esse esforço deu-me a “bagagem” física e mental que necessitava para enfrentar o desafio das 4 ultramaratonas em 4 dias.

4. Quais foram os resultados e feedback que obteve da corrida, sendo que também teve um cariz solidário de angariação de fundos para a associação Ajudar a amparar?

A mensagem passa por alertar e sensibilizar a sociedade sobre as doenças raras e também, sobre a necessidade de investir mais recursos financeiros na área cientifica. Muito se fala atualmente em “bazukas”, tenho a esperança que se criem bolsas para a investigação, temos grandes cientistas e “cérebros” em Portugal que podem contribuir para um futuro melhor. Quanto à angariação de fundos para a Ajudar a Amparar ainda continua, está a correr bem, com a ajuda de amigos, e algumas parcerias! É uma causa nobre encabeçada pelo fundador Hamilton Costa um “Guerreiro” incansável na ajuda aos mais carenciados de São Tomé. Tenho muito orgulho no trabalho dele, fazem faltam muitos “Hamiltons” no mundo.

5. Vai continuar a correr? Quais são os seus próximos projetos e objetivos para o futuro?

Continuar a correr? Claro, já faz parte da minha “alimentação” (risos)! Ajudar a divulgar as boas causas e superar-me todos os dias, esses são os objetivos para o futuro! Bem-haja a todos e até breve.