Conhecer para proteger: Boas práticas de apoio a crianças e jovens LGBTI

 

Projeto “Conhecer para Proteger: Boas Práticas de Apoio a Crianças e Jovens LGBTI, financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego do Portugal 2020, tem como objetivo geral, em parceria com a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), a formação e consultoria junto de profissionais que trabalhem com crianças e jovens sobre os temas da orientação sexual, identidade de género, expressão de género ou características sexuais.

No âmbito deste projeto, irá realizar-se o Evento de Encerramento do Projeto, já no próximo dia 29 de julho, sexta-feira, entre as 14:00 e as 17:30, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (Telheiras, Lisboa) e em streaming através da plataforma online YouTube, onde serão apresentados:

  • Os resultados do Inquérito que teve como objetivo permitir dar voz às pessoas envolvidas diretamente no âmbito do projeto e seus subtemas, ao auscultar-se não só a população LGBTI, assim como os/as técnicos/as de intervenção ou profissionais no âmbito da Educação e Proteção de Crianças e Jovens;
  • Guião de Boas Práticas para a Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens LGBTI+, que tem como objetivo tornar acessível informação científica, estruturada, completa e atualizada sobre crianças e jovens lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais, trans ou intersexo (LGBTI+) para suporte às ações de prevenção e intervenção dos agentes locais no âmbito da Educação e Proteção de Crianças e Jovens ou Infância e Juventude.

“A neurose de angústia” de João dos Santos

 

João dos Santos (1913-1987) foi por unanimidade um dos maiores nomes da Saúde Mental em Portugal, que combinou uma larga experiência clínica com uma obra admirável. Membro da Associação Internacional da Psicanálise e Sociedade Portuguesa de Psicologia, foi também membro titular e fundador da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e da Associação de Psicologia Científica em Língua Francesa.

Tendo cursado Educação Física antes da licenciatura em Medicina, João dos Santos parece ter sido um exemplo vivo da exortação de Abel Salazar “O médico que só sabe de Medicina nem de Medicina sabe”. João dos Santos, sempre em busca de melhorar o seu trabalho e o panorama dos cuidados mentais em Portugal não mediu esforços para ser um motor de conhecimento e evolução para o nosso país. Isto é visível ao ter fundado numerosas instituições como Liga Portuguesa de Deficientes Motores, Associação Portuguesa de Surdos, Liga Portuguesa de Higiene Mental, Centro Hellen Keller, Associação de Educação pela Arte, Movimento da Escola Moderna e Liga contra a Epilepsia.Read more

Evolução

Photo by Mahdi Bafande on Unsplash

 

Em Agosto do ano passado, escrevi um artigo muito pessoal em que contei a minha história de vida, partilhei experiências e tentei descrever o melhor possível como é viver com o diagnóstico de doença bipolar. Podem ler essas minhas palavras em: https://humanamente.pt/metamorfose-a-minha-jornada-de-transformacao-pessoal/

Os meus leitores poderão estar a perguntar-se: o que mudou na minha vida em sete meses e é nesse sentido que quero fazer esta atualização mais pessoal sobre a minha vida. À primeira vista, tudo parece estar igual: continuo sem estabilidade laboral ou amorosa. Fui internada pela segunda vez num hospital psiquiátrico. Mas, a vida continua a ensinar-me lições muito preciosas que quero partilhar aqui:

1) Não penses nunca que és o único com problemas, com ansiedades, com dores, com ataques de pânico, com impulsos incontroláveis, com vergonha, arrependimentos, baixa auto estima, síndrome do impostor e medos diversos. Esta foi a minha realidade até há bem pouco tempo, ainda o é até certo ponto, mas a verdade é que não podemos olhar apenas para o nosso umbigo, temos um mundo à nossa volta que se agita e pode ser extremamente exigente. Mas para além da pressão (auto imposta ou imposta pelos outros) existem as outras pessoas que também se afligem, também se alegram, também choram. Não podemos estar cegos ao sofrimento dos outros por estar demasiado focados no nosso.Read more

A vida é bela, apesar de tudo

Foto de Jay Castor retirada de: https://unsplash.com/photos/7AcMUSYRZpU

 

Numa altura em que o mundo mergulha em notícias alarmantes e desesperantes sobre a guerra na Ucrânia, invadida pela Rússia, numa sede de poder e de ganância megalómana, os problemas humanitários são cada vez mais flagrantes e impossíveis de serem ignorados. Como se diz pior cego é aquele que não quer ver e é impossível reagir com indiferença à fome, á opressão, à falta de oportunidades e à chacina nua e crua.

Queria instar os leitores europeus da Humanamente que, para além do conflito da Ucrânia não esqueçam os males já endémicos do continente africano. Os males do Afeganistão, em que segundo notícias recentes, as ruas de Cabul estão mergulhadas na instabilidade, com as pessoas a venderem órgãos do seu corpo para poderem comer. Não esqueçam que estas pessoas no limite do sofrimento são peões fáceis para outras guerras. Como tal, ajudem o que puderem, na medida das vossas possibilidades. Uma lata de atum, um pacote de arroz, o que for. Qualquer alimento é melhor que nada e pode fazer a diferença entre ir para a cama saciado ou com o estômago vazio a roncar de fome. Que ninguém fique para trás: crianças, mulheres, população em geral. As necessidades da natureza, das pessoas, dos animais, de todos os seres têm de ser suprimidas para que a sociedade possa avançar e evoluir para melhor.Read more

8 de Maio: Dia da Mulher

Dia da mulher. Considero sempre este dia um pouco agridoce – contente por ele existir, pois chama a atenção para os direitos de mais de metade da população e triste por ele ainda ter de existir.
Passam-se ainda ideias muito erradas do que é esta luta das mulheres, começando pelo próprio nome “feminismo”. O feminismo “advoga a defesa dos direitos das mulheres, com base no princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os sexos”. Não é misandria. Não é querer ser mais que um homem ou desprezá-lo. É querer ter as mesmas oportunidades, os mesmos direitos. Equidade.
No que toca à área das necessidades específicas, a carga ainda recai maioritariamente sobre as mulheres, a quem é associado o papel tradicional de cuidar. É da mulher que se espera que cuide da casa, dos filhos, que mantenha tudo a funcionar, muitas vezes em detrimento de si mesma, da sua carreira ou espaço pessoal. É também a mulher que tem maior risco de pobreza e exclusão social. Nem vou falar dos dados no que diz respeito ao impacto da guerra e outros que tais nas mulheres e meninas, se não, não sairia daqui.
Existem 7,7 milhões de mulheres cuidadoras a tempo inteiro na união europeia, em comparação com 0,5 milhões de homens. A tempo parcial existem 9 milhões de mulheres cuidadoras, em comparação com 0,6 milhões de homens. Em Portugal a tendência é a mesma: a maioria dos cuidadores é mulher. Temos de falar também das mulheres com deficiência, que estão em dupla desvantagem no mercado de trabalho. Na Europa são 61 milhões.
Há muito trabalho a fazer neste campo. É preciso deitar abaixo estereótipos e papeis tradicionais, é preciso trabalhar para que homens e mulheres sejam vistos como iguais no mercado de trabalho, é preciso que não se assuma que a mulher é um risco porque um dia terá filhos ou terá família para cuidar. É preciso dar condições às mães, mulheres e cuidadoras para que possam ter a sua carreira se assim o desejarem e dar espaço aos pais e cuidadores para que o possam ser sem reservas, sem o peso patriarcal em cima.
Eu suspendi a minha carreira para cuidar do meu filho. Voltaria a fazê-lo num pestanejar de olhos. Mas falta-me, tal como falta a tantas mães e/ou cuidadoras, bastante suporte psicológico, físico, entre outros. É este o objetivo do dia da mulher. Chamar a atenção. Ajudar a que exista união nesta luta. Relembrar aquelas que deram a vida (literal ou figurativamente) para que pudéssemos avançar. Não podemos nunca voltar atrás.
Tânia Vargas
O mundo do Gonçalinho

Relações abusivas

 

Falamos no crime da violência doméstica nos jornais, na rádio, na televisão… Mas será que estamos sensibilizados e consciencializados o suficiente enquanto sociedade para o que este fenómeno implica? A minha resposta é um rotundo não. Enquanto houver mulheres mortas por alguém que as diz amar, por situações de ciúme doentio (que a justiça descreve como crimes passionais), por violência em estado puro e de completo descontrolo, temos nas mãos  um problema ainda bem complexo e de contornos bem escuros por resolver.

Quando era muito pequena fui vítima de bullying, muito antes desse conceito ter sido introduzido em massa no nosso léxico gramatical. Agressões físicas e verbais tornaram-se a minha realidade quotidiana e eu não sabia como reagir porque tudo o que aprendia na catequese era “Jesus Cristo deu a outra face”, ou seja tudo o que ouvia apelava a que eu não me defendesse e tentasse a todo o custo ser pacifista dentro do meu próprio problema. A minha família finalmente descobriu o que se estava a passar comigo e o meu pai foi à escola pedir para a pessoa em questão que parasse de me bater.

Isto teve consequências muito profundas na minha autoestima e autorreferenciação. Nunca me sentia boa o suficiente, apesar de os resultados escolares serem no geral muito satisfatórios. Fiz uma grande amiga, lutava por ter notas máximas, mas mo meu interior sentia-me sempre a intrusa porque era como se não fosse nunca bem acolhida no seio do grupo. Nas aulas de Educação Física, em que tinha dificuldades motoras (chegava a chamar-me de “deficiente” era a última a ser escolhida para formar grupos de jogo. Para trabalhos de ciências sociais e humanas era sempre a primeira, porque eu sabia como os fazer. Conto isto sem qualquer mágoa, no fundo todos estamos apenas a tentar simplificar a nossa vida e a trabalhar fazendo o melhor que sabemos.Read more

Quando não está tudo bem

 

É normal iniciar-se uma conversa com conhecidos ou amigos a perguntar “está tudo bem?”. A resposta que costumamos ouvir do outro lado é “sim, está” ou “vai-se andando”. Por vezes somos capazes de detetar um sorriso forçado, mas raramente temos coragem de nos alongar, afinal já cumprimos os padrões aceitáveis de sociabilidade e é um facto assente que toda a gente tem problemas. Mas o que fazer quando não está tudo bem? Quando nos sentimos desprovidos de razão de viver e o nosso mundo está em ruínas? É para essas pessoas que vou escrever as linhas seguintes.

Primeiro que tudo, é preciso ter em mente que todos temos tendência a escamotear o sofrimento, a não expressar o que realmente nos preocupa em determinados momentos da nossa vida. Temos uma reação evitativa e não encaramos a realidade. Todos somos culpados disso em maior ou menor grau. Com isto quero dizer que nos tornamos desconfiados, temos vergonha ou pudor, medo da perceção dos outros, de parecer frágeis e vulneráveis. Assim, atamos o nosso melhor sorriso com fita cola e tentamos ir em frente porque a vida é um espetáculo que tem de continuar.Read more

Reflexões de final do ano

 

O ano de 2021 aproxima-se do fim e é altura de se começarem a fazer balanços de perdas, ganhos, o que correu bem, o que correu mal, o que nos trouxe satisfação e o que nos abalou até ao âmago. É uma fase estranha em que se, por um lado nos confrontamos com as nossas limitações, também por outro queremos ser otimistas e ter esperança. Elaborar uma lista de resoluções para o novo ano continua a ser uma prática comum e muitas delas continuam a não funcionar.Read more

A beleza está na tentativa

 

Pensei em escrever um artigo sobre como os números controlam a nossa vida: as classificações nos exames finais, a conta bancária, a idade… Enfim, todo um conjunto de indicadores que trazem consigo pressupostos que nem sempre correspondem à verdade. Muitas pessoas usam o adágio “Os números falam por si” para justificar uma história de sucesso. Mas nas alturas mais difíceis, em que mais precisamos de ajuda, não queremos ser tratados como mais um número. Queremos ser tratados como pessoas que podem falar por si próprias ou, caso essa hipótese esteja fora de alcance, ter alguém que os represente e fale por eles.

Foi com esse intuito que comecei a Humanamente. Porque mais que uma revista digital com um pdf que sai uma vez por ano, quero que seja uma comunidade que responda a questões, a dúvidas, que ampare as pessoas na sua busca por mais informação ou tão somente mais empatia e compreensão. O conceito deste site só faz sentido se houver essa troca e partilha, que nos permita a todos nutrirmos-mos uns aos outros de conhecimento, de experiência e de (porque não dizê-lo?) humanidade em estado puro. Há demasiados conflitos e lutas de interesses no mundo atual para que não nos unamos em busca não só dos pilares com que fundei este projeto e que repito até à exaustão (saúde, bem-estar e desenvolvimento pessoal), mas também por um mundo melhor. Read more

Áreas do processo terapêutico

 

Em saúde mental, o processo terapêutico divide-se nas seguintes componentes: farmacoterapia, psicoterapia, hábitos de vida saudável, técnicas de relaxamento e técnicas expressivas.

A psicofarmacologia consiste na tentativa de modificar ou corrigir comportamentos, pensamentos ou humores patológicos por meios físicos e químicos. Segundo o Prontuário Terapêutico do Infarmed, os psicofármacos dividem-se em: ansiolíticos, sedativos e hipnóticos: antiepiléticos e anticonvulsionantes, antipsicóticos e antidepressores.Read more