Livro “Ansiedade na primeira pessoa” de Andreia Salvado

 

Começo por dizer que a Andreia Salvado, nascida em Sintra em 1981, é de enorme coragem ao partilhar a sua história de saúde mental com o mundo e mais pessoas deveriam seguir o seu exemplo para desmitificar informações e crenças erradas neste quesito.

A odisseia de Andreia começa aos 29 anos, num processo  de mudança de casa que a fez sentir sozinha e em descontrolo emocional. A isto somam-se as deslocações exaustivas para o trabalho de Lisboa para Sines. Andreia, formada em Engenharia do Ambiente, uma pessoa sempre perfeccionista, aplicada, disciplinada e que gostava de superar todas as expetativas, vê-se envolvida numa ansiedade paralisante. Para quem nunca sofreu deste problema, a ansiedade generalizada, como passou a acometer a Andreia, pode traduzir-se em dificuldades respiratórias, batimentos cardíacos muito acelerados (como se o coração fosse saltar do peito ou fôssemos ter um ataque cardíaco), um profundo mal-estar e tremores ou suor nas mãos. No caso da Andreia, também tinha os pensamentos a mil à hora, como se costuma dizer, e começou a sofrer de insónias persistentes. Como efeito colateral deste problema adormeceu ao volante e teve um acidente de viação que por sorte não lhe trouxe sequelas físicas graves mas que desencadeou um ataque de pânico enorme.

Para quem nunca teve um ataque de pânico, este é uma ampliação a 100% da ansiedade, em que o organismo se comporta como se estivesse em perigo de vida e causa desorientação, descontrolo e um medo gigantesco, como tão bem descreve a Andreia.

Andreia procurou quase de imediato ajuda especializada. Quando se fala em recorrer a profissionais de saúde no campo mental,  o auxílio pode vir na forma de um psiquiatra que nos receita medicação e/ou de um psicólogo com quem podemos fazer psicoterapia e conhecer melhor os nossos gatilhos e, no fundo, aprender quem somos e o que nos move na vida.

Andreia aceitou a ansiedade como parte de si e decidiu não fazer dela “um bicho de sete cabeças”. Tendo por base que o bem-estar se constrói de dentro para fora  e que a chuva na vida de uma planta significa crescimento e fortalecimento, Andreia muniu-se de todas as ferramentas para continuar a ser funcional, a ter uma vida normal e a sentir-se bem na sua pele. Continuou a trabalhar, a conduzir, foi mãe e seguindo a sua paixão pelas viagens, mudou-se para o México, onde foi testemunha de vários sismos. Tudo isto feitos notáveis que refletem a força de vontade da Andreia mas também a sua busca por conhecimento e pelo controlo dos seus sintomas. O yoga trouxe-lhe mais tranquilidade de espírito bem como a prática de mindfulness (atenção plena e saber estar no momento presente).

Também fala da técnica RAIN (PAIN em português):

P_ Preste atenção à experiência presente com curiosidade e gentileza

A_ Aceite a experiência e permita que ela seja exatamente como é

I_ Investigue com curiosidade as sensações físicas, emoções e pensamentos presentes

N_ Não se identifique com a dor. Pare todo o questionamento mental e perceba que é um processo natural

A história da Andreia, partilhada neste livro, “Ansiedade na primeira pessoa”, com tanta generosidade, deixa-nos uma mensagem de esperança. Podemos estar a passar por muitos sofrimentos e problemas, mas mesmo que tenhamos uma condição sem cura à vista, é possível encontrar soluções, sanar feridas e ser pró-ativo na procura de informações pela nossa saúde e a dos nossos.

 

Paula Gouveia

 

 

Recensão “A última duquesa” de Pedro Paixão


A obra “A última duquesa” de Pedro Paixão é um verdadeiro manjar literário. Escrito de forma não exatamente linear, é um belíssimo livro, com um conteúdo que prima pela qualidade do pensamento e excelência das ideias.

As personagens femininas são marcadamente fortes como Vera, Raquel ou a Duquesa.

Este é um livro para os sentidos e para as emoções, sobre a nobreza de caráter e a sensibilidade que nos permite sentir tudo com extrema intensidade. Os factos históricos, filosóficos e sociais fazem-nos perceber que a Arte escapa a definições, não é algo que se possa simplesmente ensinar mas que pode sempre ser transformada.

Fiquei especialmente impressionada com a definição de mania de Platão, a designação antigamente dada à doença bipolar, que me acomete. Ele considerava que era o preço a pagar pela inspiração divina, pelo dialogar com as Musas. Poder pensar de forma positiva sobre a minha condição foi outra das benesses deste livro pois fez-me ver que tudo de bom na vida implica uma troca, um sacrifício (termo que na sua origem etimológica mais antiga significava justamente tornar sagrado).

A nível literário, Pedro Paixão continua a ser um escritor envolvente, que nos leva para o seu mundo narrativo e só nos liberta no final. Este livro, da entretanto encerrada Editora Licorne, merece ser lido por mais pessoas porque impacta a forma como pensamos sobre as paixões, sobre a saúde mental, sobre a existência humana. É daqueles livros que têm potencialmente o condão de abrir mentes e mudar vidas.

 

Paula Gouveia

 

Projeto de música e poesia “Lua vinil” de Rita Abranches e Pedro Walter

 

A música é uma das mais belas expressões humanas, que mistura sensibilidade com sonoridade que vai direto aos nossos sentidos. Há um novo projeto que combina música e poesia e merece todas as atenções e louvores: Lua vinil. É composto pela pianista e compositora Rita Abranches, que vai tocar música da sua autoria e por Pedro Walter, ator, que a acompanha com a sua voz e presença, trazendo ao palco diferentes e importantes poetas portugueses.

O espetáculo Lua vinil transporta-nos para um universo acústico e cinematográfico, trazendo momentos de piano a solo, diferentes elementos cénicos e uma atmosfera rica e variada. Distante do tecnicismo e aceleração que caracterizam os dias de hoje, assumindo uma postura e uma clara identificação poética com as diferentes cores e atmosferas que caracterizam o Sonho e um tempo sem Tempo.

       Lua vinil foi estreado no passado mês de Outubro na Fábrica Braço de Prata e há vários concertos agendados, sendo os próximos no Município de Vendas Novas, pelas comemorações do dia da Poesia e também do 25 de Abril.

Rita Abranches nasceu em Lisboa. É pianista, compositora e professora de piano.
Descobriu a sonoridade do piano e a sua paixão pela Música em criança, nas aulas que recebeu
de dança clássica, tendo iniciado mais tarde, em adolescente, os seus estudos de música no
Conservatório Nacional, onde concluiu o curso complementar de Piano. Prosseguiu a sua
formação académica com a realização de uma Licenciatura em Piano e de um Mestrado em
Ensino da Música. Integrou diferentes formações instrumentais em diversos espaços pelo país
e participou como intérprete em álbuns de outros músicos e compositores.
Desde cedo começou a sentir necessidade de realizar a sua própria música, traçando
um caminho de liberdade criativa e individual. Tem criado música para vários projetos de
Cinema, Teatro, Dança e Poesia, apreciando o modo como as diversas formas de expressão se
relacionam e enriquecem em conjunto. No Cinema, começou por participar na trilha sonora de
curtas metragens, tendo mais tarde criado a banda sonora de uma série de documentários
sobre Macau para a RTP – “Macau 2012/13”de Rui Filipe Torres, que evoluiu posteriormente
para o formato de longa-metragem, “Macau, um Longe tão Perto”, ambos os trabalhos
exibidos em vários locais e festivais de Cinema. No Teatro, destaca-se a música criada para a
peça “Flower Child” de Jack Shamblin (Nova Iorque, EUA) e na Dança, foram vários os
momentos musicais coreografados, sublinhando-se a peça “Rmood” no espectáculo de Dança
“Os valores da Música Portuguesa” no CCB. Criou vários projectos na união da sua música à
Poesia Portuguesa: “Poetas Portugueses: Uma viagem de sons”; o “Projecto Vida e Nuvem” e o
seu mais recente projecto, “Lua vinil”, em parceria com o actor Pedro Walter, tendo vindo a
realizar espectáculos em diversos espaços pelo País.
Tem dois álbuns editados: “Vagueando” (2013), um conjunto de oito temas para piano
e “Vida e Nuvem” (2019), no qual expande para outros instrumentos a sua linguagem,
apresentando algumas canções. Interessa-se por Yoga, tendo realizado diversos cursos de Yoga
e Yogaterapia durante 3 anos. O Cinema, as viagens, a Liberdade, o Sonho e o Mar são linhas e
fontes constantes de inspiração para os seus trabalhos.
Pedro Walter nasceu em Lisboa em 1983. Foi jogador de futebol federado até aos 18
anos, tendo realizado posteriormente o Curso profissional de Desporto no Colégio Pina
Manique – Casa Pia. A sua paixão pelo futebol é substituída pelo Teatro, a partir da sua
primeira experiência em figuração na peça “As três irmãs” de Tchekov, na Companhia de
Teatro de Almada (CTA), companhia com a qual fica a colaborar até aos dias de hoje, num
vasto leque de produções teatrais. Destacam-se os inúmeros espectáculos para o público
infantil e juvenil sob a direcção de Teresa Gafeira (“Chá doce”, “O barbeiro de Sevilha”, “A
flauta mágica”, “O fantasma das melancias”, “Dona raposa e outros animais”, ”Os gatos”, “O
Mandarim”, “Pastéis de nata para Bach”, “Verdi que te quero Verdi”, “O vento nos
salgueiros”), e variadas criações da CTA desde 2007, encenadas por Bernard Sobel, Ignacio
García, Ivica Buljan, Joaquim Benite, Mario Mattia Giorgetti, Nuno Carinhas, Rodrigo Francisco,
Rogério de Carvalho e Toni Cafiero.
A peça “Além da dor”, de Alexander Zeldin e com encenação de Rodrigo Francisco, foi
nomeada para os Globos de Ouro 2022, e “O Misantropo”, de Martin Crimp, com encenação
de Nuno Carinhas, para os Globos de Ouro 2023, ambas na categoria Melhor Peça
/Espectáculo.
Tem vindo a participar desde 2018, nos projectos “Poetas Portugueses: Uma viagem
de sons” e “Vida e Nuvem”, da autoria de Rita Abranches, com a qual criou recentemente o
espectáculo “Lua vinil”.

Estudo com 4 245 psiquiatras da Europa sobre o estigma associado à doença mental na prática clínica apresenta primeiros resultados

 

A promoção de uma cultura laboral que inclua iniciativas anti-estigma e a integração destas ações nos programas de formação em psiquiatria e pedopsiquiatria, bem como a pertinência da psicoterapia e da discussão de casos entre pares são algumas das recomendações centrais apontadas por um estudo europeu, em que participaram 4 245 psiquiatras e pedopsiquiatras de 32 países, entre os quais Portugal.

Este estudo procurou identificar o estigma na prática clínica destes profissionais de saúde mental e faz parte de uma investigação que tem vindo a ser conduzida em 32 países da Europa. A investigação em curso pretende contribuir para que, futuramente, sejam implementadas medidas capazes de diminuir o estigma associado à saúde mental na prática clínica.

Intitulado Attitudes of psychiatrists towards people with mental illness: a cross-sectional, multicentre study of stigma in 32 European countries, publicado na revista eClinicalMedicine, editada pela The Lancet – liderado pela psiquiatra do Hospital Psiquiátrico Infantil e Adolescente de Vadaskert (Hungria), Dorottya Őri –, este estudo teve como objetivo central “analisar a relação entre as experiências vividas na primeira pessoa dos psiquiatras e pedopsiquiatras participantes e as suas atitudes estigmatizantes em relação a pessoas com doença mental”, explicam as investigadoras do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), Ana Telma Pereira e Carolina Cabaços, que participam como coordenadoras nacionais neste projeto europeu.

“Segundo a definição original do cientista social Erving Goffman, o estigma refere-se a qualquer atributo que reduz alguém nas nossas mentes, de uma pessoa normal e completa para outra que está reduzida, contaminada”, contextualizam as investigadoras. Na área da saúde, o estigma pode traduzir-se, por exemplo, “em dificultar o acesso a cuidados de saúde, tratar alguém com excessivo paternalismo ou condescendência ou desvalorizar as queixas do doente, entre outras atitudes e consequências, sendo um inegável promotor de desigualdade social”, sublinham.

As investigadoras referem ainda que “as pessoas que sofrem de uma doença mental estão entre os grupos sociais mais estigmatizados, que, devido ao estigma e à antecipação negativa de experiências de discriminação, frequentemente evitam pedir ajuda e aderem parcamente ao tratamento”. “Numa perspetiva mais abrangente, o estigma em relação à doença mental tem sido também considerado um dos principais obstáculos ao financiamento adequado de avanços técnico-científicos na área da psiquiatria”, acrescentam.

Para analisar o estigma nos 32 países europeus (Hungria, Portugal, Dinamarca, Lituânia, Áustria, Turquia, Albânia, Azerbaijão, Ucrânia, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Rússia, Estónia, França, Chéquia, Irlanda, Grécia, Montenegro, Eslováquia, Letónia, Malta, Bulgária, Bielorrússia, Itália, Suíça, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido, Bélgica, Espanha e Chipre), a equipa de investigação utilizou a Opening Minds Stigma Scale for Health Care Providers (OMS-HC), uma ferramenta que tem sido utilizada mundialmente para analisar atitudes estigmatizantes entre profissionais de saúde, e cujas propriedades psicométricas nos 32 países participantes foram aferidas num estudo anterior, publicado pela mesma equipa de investigação.

“Esta escala, em que são atribuídas pontuações entre 15 e 75 pontos – correspondendo as pontuações mais elevadas a atitudes mais estigmatizantes – é constituída por 15 itens de autorresposta, distribuídos por três subescalas, que avaliam as seguintes dimensões: atitudes face a pessoas com doença mental; ocultação e procura de ajuda; e distância social”, explicam as investigadoras.

“No global, a média das pontuações na amostra total foi relativamente baixa: 30.47, correspondendo a cerca de 40% do total da escala, revelando, assim, que a maioria dos psiquiatras participantes no estudo reportam atitudes globalmente positivas face à doença mental”, elucidam Ana Telma Pereira e Carolina Cabaços.

Sobre o contexto nacional, as investigadoras explicam que “Portugal apresentou uma média de 32.47 no total da escala de estigma, ligeiramente acima da média do total de participantes, tendo sido o 6.º país com a pontuação média mais elevada na OMS-HC, a seguir à Letónia (35.98), Ucrânia (35.02), Bielorrússia (35.01), Bulgária (33.09) e Chéquia (32.82)”. Participaram no estudo 148 psiquiatras de adultos e de crianças e adolescentes portugueses, de todas as regiões do país, a maioria psiquiatras de adultos (82,4%).

Em geral, os profissionais dos 32 países que obtiveram pontuações mais baixas de estigma (ou seja, que evidenciaram atitudes mais positivas em relação à doença mental) eram “os que estavam rodeados de atitudes positivas por parte de colegas, que participavam em grupos de discussão de casos, que estavam ativamente envolvidos em práticas psicoterapêuticas ou que tinham uma experiência pessoal com doença mental”, explica a equipa de investigação portuguesa. “Estes foram os fatores significativamente associados ao desenvolvimento de atitudes mais favoráveis por parte dos psiquiatras e pedopsiquiatras relativamente aos seus doentes por toda a Europa”, acrescentam.

Para o caso português, Ana Telma Pereira e Carolina Cabaços pretendem em breve publicar mais resultados nacionais e recomendações mais detalhadas, o que “irá permitir retirar e extrapolar conclusões mais específicas do nosso contexto nacional, que esperamos que possam vir a contribuir para a implementação de medidas mais eficazes para mitigar este relevante problema de saúde pública que é o estigma associado à doença mental, e do qual os profissionais de saúde mental não se encontram isentos”.

A participação das investigadoras da Universidade de Coimbra neste estudo europeu prende-se com o interesse de ambas pela área do estigma associado à doença mental, sendo este o tema de doutoramento de Carolina Cabaços, que é também médica psiquiatra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e assistente convidada da FMUC. A tese de doutoramento é orientada pelo docente da Faculdade de Medicina da UC e diretor do Instituto de Psicologia Médica da FMUC, António Macedo; pelo docente da FMUC e coordenador científico do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional da UC, Miguel Castelo-Branco; e por Ana Telma Pereira.

 

Universidade de Coimbra

 

Evento internacional assinala Dia dos Namorados em Vila Franca de Xira com alerta para a segurança online

Foto de DESIGNECOLOGIST na Unsplash

A Ciberviolência e defesa de um ambiente online seguro para raparigas e mulheres são os temas do evento bE_SAFE Portugal, que terá lugar no dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados, entre as 8h30 e as 13h00, no Agrupamento de Escolas Prof. Reynaldo dos Santos (Rua 28 de março, Bom Retiro, 2600-053 Vila Franca de Xira).

O programa da sessão integra dois painéis, em que especialistas em igualdade e direitos humanos vão debater as seguintes questões:

Que equilíbrio existe entre a liberdade online e a prevenção da ciberviolência?

Como pode a educação digital, a conscientização entre pares e a promoção de comunidades online seguras desempenhar um papel vital em todo este processo?

Como podemos prevenir a culpabilização das vítimas, a sua revitimização e traumatização?

Conta também com a apresentação dos trabalhos realizados pelas turmas dos 7º e 10º anos da Escola Básica e Secundária Prof. Reynaldo dos Santos, sobre os temas “Crescer com a internet: entre o ser livre e a ciberviolência” e “Dia do namoro com redes sociais seguras.”

Este evento é promovido pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) e a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, em parceria com o Agrupamento de Escolas Prof. Reynaldo dos Santos, no âmbito do  Projeto, bE_SAFE – Conscientização sobre a CIBERVIOLÊNCIA e defesa de um ambiente online mais SEGURO para raparigas e mulheres cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores (CERV).

A Presidente da PpDM realça a importância do projeto. «Acabar com todas as formas de violência, online e offline, que afetam desproporcionalmente as raparigas e as mulheres é um imperativo da sociedade democrática que somos, em Portugal, na Croácia, em Espanha, na União Europeia e no Mundo. Este é, assim, um evento europeu que se associa ao V-DAY, um movimento ativista global para acabar com a violência contra todas as mulheres e raparigas.», destaca Ana Sofia Fernandes.

Para Sandra Ribeiro, Presidente da CIG, a parceria da Comissão neste projeto acontece porque “a ciberviolência não é apenas uma ameaça virtual, mas uma realidade que cruelmente afeta a vida de raparigas e mulheres, minando a sua segurança e bem-estar online e offline” e esta iniciativa vai “certamente contribuir para a alteração legislativa e de políticas públicas tanto nos países que integram a parceria – Portugal, Croácia e Espanha – como também a um nível europeu mais amplo.”

ciberviolência sexual é um problema social crescente, com impactos a nível individual, social e económico, que atinge jovens e crianças com idades cada vez mais precoces e com particular incidência sobre as raparigas e mulheres. É um problema transversal a todos os países europeus e faz parte do continuum da violência exercida sobre raparigas e mulheres, decorrente da desigualdade estrutural entre mulheres e homens, raparigas e rapazes, pelo que exige toda a nossa atenção.

A violência na sua dimensão digital abrange o que se passa no espaço virtual e/ou é facilitado por meios tecnológicos. As diferentes formas de violência que ocorrem na esfera digital e no mundo físico não se excluem mutuamente e frequentemente sobrepõem-se umas às outras, exacerbando o impacto traumatizante da violência, por vezes ameaçando mesmo a segurança física da vítima.

Resultados do estudo de Faustino, Ventura, Alves e Matos (2022), publicado pela Rede de Jovens para a Igualdade, 517 jovens mulheres inquiridas com idades entre os 18 e os 25 anos revelam:

  • 67% das jovens foram vítimas de violência sexual baseada em imagens e 48% destas jovens sofreram mais do que uma forma deste tipo de violência 
  • 84% das jovens foram vítimas de cyberflashing
  • 39% receberam ameaças de partilha de conteúdos íntimos
  • 20% das jovens foram vítimas de partilha não consensual de imagens e 18,8% relataram ter sido objeto de fotografias íntimas tiradas sem consentimento
  • 5% foram vítimas de upskirting
  • 3% viram as suas fotografias serem utilizadas para produzir pornografia deepfake
  • 39% dos agressores eram desconhecidos das jovens mas a maioria (60%) eram jovens ou homens próximos das vítimas: 15% eram anteriores namorados ou parceiros, 13% conhecidos, 13% eram parceiros numa relação sexual e/ou afetiva esporádica, 9,5% amigos e 9,5% namorados ou parceiros.

 

CIG Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género

Curso de Liderança Pessoal de André Rosa

 

 

André Rosa é uma referência nacional da área do desenvolvimento pessoal, Mestre em Gestão de Recursos Humanos, Master Coach, Master Pratictioner em Programação Neurolinguistica, Especialista em Liderança e Reprogramação Mental.

 Com mais de 10 anos de experiência no mundo do Desenvolvimento Pessoal, Liderança e Gestão de equipas, o André já ajudou centenas de pessoas a alcançarem os seus objetivos.

​Para além disso, o André já conta com participações nos canais de televisão nacionais, escreve artigos para revistas e foi criador da Achievers Academy (primeira plataforma de desenvolvimento pessoal em Portugal).

Para mim, o André é uma pessoa perspicaz, resiliente e otimista. É focado em alcançar bons resultados, numa filosofia de mente sã em corpo são.

Tivemos apenas uma sessão de coaching mas foi o suficiente para desatar muitos nós na minha cabeça. Ao desenhar-me a roda da vida, tornou-se evidente que eu conseguiria ser mais produtiva e alcançar mais objetivos, se fosse mais equilibrada emocionalmente. Tudo me fez sentido porque a nível mental há dias em que me sinto paralisada, incapaz de fazer um bom trabalho e a procrastinar sucessivamente.

Se querem um coach muito prático, que puxe por vocês e busque convosco soluções, recomendo este curso de “Liderança pessoal” com o André Rosa. O curso, no valor total de 197 euros, é dividido nos seguintes módulos: auto-conhecimento, alta performance (produtividade), comunicação eficaz, auto-coaching, ferramentas avançadas e conteúdo bónus. É destinado a quem se preocupa com desenvolvimento pessoal, quem quer mais para si e para a sua vida e quem visa melhorar os seus resultados. Como refere André Rosa “Resumindo, vais aprender a liderar o que mais interessa. A tua vida e a tua Mente”.

O link do site oficial de André Rosa é: www.andrerosacoach.com

O link direto para o curso é: https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/lideranca-pessoal-para-o-sucesso/G17529356W

Também pode utilizar o meu link de afiliado, no qual recebo 50% da compra do curso: https://app-vlc.hotmart.com/affiliate-recruiting/view/6467C17529377

Nunca é tarde demais para investir em si com um dos maiores especialistas em Portugal.

 

Paula Gouveia

Racismo em Portugal “Senti que olhavam para mim como se fosse um extraterrestre”

Foto de Victor Svistunov na Unsplash

 

Juan (nome fictício), de 35 anos, é um jovem cabo-verdiano que há cerca de dois anos escolheu Portugal para viver.

O acolhimento em território português ficou aquém daquilo que tinha sonhado, como se poderá ler na pequena entrevista que segue em baixo:

1- Qual foi a tua principal motivação para vires para Portugal?

A motivação para vir para cá foi procurar melhorar qualidade de vida, por exemplo ter um emprego fixo e conseguir-me sustentar sem ansiedade, o que em Cabo Verde sempre foi muito difícil. Quando cheguei só queria  trabalhar e estudar .

2_ Como foi o teu ingresso no mundo do trabalho em Portugal?

     Não gostei do meu primeiro trabalho, que durou apenas um mês. Fui explorado. Mudei de emprego e comecei a trabalhar na minha área, eletricidade. Eu estava contente, mas sendo o único Africano sentia que olhavam para mim como se eu fosse um extraterrestre, alguém de outro mundo que não sabia nada. Até ouvi piadas racistas por parte de colegas. Foi horrível! Sentia-me sozinho, passei a ver o povo português como um povo racista. Mas nem todos são assim

3_ O que fez a diferença nos momentos mais complicados que viveste?

   O que me ajudou muito foi  a fé que tenho em Deus. A esperança que todas as coisas más serão coisas do passado.  Agora sinto-me em casa, tenho verdadeiro amigos na minha congregação, que me ajudou a lidar com desafios que os emigrantes enfrentam.

Paula Gouveia

Não somos máquinas

Cada vez mais nos é pedido que esqueçamos a vida pessoal para abraçar indústrias que nos exigem um foco e dedicação quase totais. É compreensível que para fazer crescer um negócio temos de investir dois recursos limitados: tempo e esforço. A atual crise nos caminhos de ferro, na educação, na saúde faz-nos ver que há brechas nesta forma de pensar, quando não levamos em conta o bem-estar dos outros.

Como pode um enfermeiro ou médico cuidar do doente se não consegue ter tempo para cuidar de si próprio. É certo que a união ainda faz a força, os sindicatos reúnem-se para reclamar melhores condições de trabalho e que as respetivas profissões sejam valorizadas mas a sensação é que seguimos a passo numa valsa que não sabemos onde vai dar.

Abrimos a televisão que não deixa de nos despejar notícias sobre crimes, acidentes, desaparecimentos e a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente. Como manter o ânimo quando tudo parece em estado de sítio, completamente caótico. Há um ditado que diz se pensarmos em mudar o mundo, para darmos três voltas na nossa própria casa. Hoje em dia, com os meios de comunicação social e as redes sociais omnipresentes fica aquela sensação angustiante de que se calhar podemos fazer mais.

Voltamos ao título desta entrada. Não somos máquinas, que podem reagir a qualquer programação e não têm a obrigação de filtrar a informação que recebem, que são construídos com os materiais que os seres humanos decidem. Casos de stress extremo, ansiedade generalizada e burnout mostra-nos que trabalhar demais tem os seus efeitos a longo prazo no nosso organismo e que há limites traçados pelo nosso corpo que devemos respeitar. Quando não beneficiamos do sono e repouso, de atividades de lazer adequadas aos nossos interesses, vão-se formando buracos dentro de nós e queremos uma mudança. É aí que entram as manifestações contra o sistema. Não somos máquinas que não pestanejam, não choram, não sentem frustração. Então porque nos tratam tantas vezes como tal?

 

Paula Gouveia

 

Foto de Owen Beard na Unsplash

Papéis de género tradicionais perduram no fim da vida profissional e na reforma

 

Um conjunto de estudos realizados no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) identifica diferenças de género em diversos espaços sociais, incluindo em contexto de teletrabalho, parecendo perdurarem durante a reforma.

As diferenças entre homens e mulheres ainda prevalecem no mundo do trabalho. De acordo com dados da OCDE, as mulheres gastam mais horas por dia em trabalho não remunerado do que os homens, nomeadamente, em tarefas domésticas ou cuidados da família. Para além disso, em Portugal, no ano de 2021 os salários medianos anuais dos homens eram cerca de 12% superiores aos das mulheres. A investigadora Maria Helena Santos (CIS-Iscte), especialista em Psicologia Social do Género, tem explorado as perspetivas e experiências de homens e mulheres em diferentes contextos sociais e profissionais em várias fases da vida, e tem encontrado dados que apoiam estas estatísticas. Segundo a investigadora, diferenças com base nos papéis tradicionais de género são observadas em várias profissões genderizadas, como no setor da limpezajunto de professores do ensino secundário, mas também na esfera política, onde a representação feminina é ainda minoritária.

Efetivamente, a equipa de investigação composta por Maria Cecília Eduardo (Universidade Federal do Paraná), Maria Helena Santos (CIS-Iscte) e Ana Lúcia Teixeira (CICS.NOVA) publicou também em 2023 um estudo que apresenta uma análise descritiva e comparativa dos estatutos dos partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados, no caso do Brasil, e no Parlamento, no caso de Portugal. O principal objetivo foi avaliar a inclusividade dos textos partidários e o compromisso de partidos políticos com a promoção da igualdade de género e da participação política das mulheres nos seus quadros organizacionais, em Portugal e no Brasil. De uma forma geral, as investigadoras observaram que os partidos de esquerda têm sido historicamente mais encorajadores do envolvimento das mulheres, em ambos os países, pelo menos nas suas regras estatutárias. Maria Helena Santos concretiza: “Em termos percentuais, no caso brasileiro, três dos quatro partidos centristas e cerca de 66% dos partidos de esquerda têm pelo menos uma menção à questão da não discriminação e/ou da igualdade de género. Em contraste, menos de metade dos partidos de direita apresenta esta questão nos seus textos partidários. Já em Portugal, nenhum partido de direita menciona este princípio, que aparece em mais de metade dos estatutos dos partidos de esquerda”. O estudo também informa que apesar da presença de estatutos inclusivos em muitos partidos brasileiros, não parece haver uma influência direta no número de mulheres por si eleitas, sugerindo uma discrepância entre as disposições estatutárias e os resultados reais em termos de representação das mulheres. Por último, embora tanto o Brasil como Portugal tenham quotas eleitorais para as mulheres, as percentagens específicas e os sistemas eleitorais diferem, o que pode ter um impacto na eleição das mulheres em cada país.

Maria Helena Santos reconhece que, nas últimas décadas, têm sido feitos esforços para criar condições que promovam uma maior igualdade entre homens e mulheres. Contudo, considera que há ainda muito por fazer. “Um dos fatores que salientou e, em certos casos, agravou estas diferenças foi a pandemia e o contexto de teletrabalho”, explica a investigadora. Dados de um estudo publicado em 2023 sugerem, efetivamente, que a pandemia de COVID-19 levou a um aumento significativo da divisão do trabalho não remunerado entre as figuras parentais, com as mulheres a assumirem uma maior parte das tarefas domésticas e de prestação de cuidados à família. A equipa de investigação, composta por investigadoras do Iscte (Maria Helena Santos, Miriam Rosa, Jéssica Ramos e Ana Catarina Carvalho) e do ICS-ULisboa (Rita Correia), notou que, apesar dos avanços pré-pandémicos, em matéria de igualdade entre homens e mulheres, persistiram desigualdades de género significativas na divisão do trabalho não remunerado, em especial para os casais com crianças pequenas. As mulheres, especialmente as que trabalhavam em regime de teletrabalho, registaram uma menor satisfação profissional devido à falta de partilha das tarefas de prestação de cuidados. “Estes resultados sublinham a necessidade de uma divisão mais equitativa do trabalho não remunerado entre os pais, em especial em tempos de crise, e realçam a importância de disposições laborais que permitam uma divisão mais equilibrada do trabalho não remunerado para aumentar a satisfação profissional.”, conclui Maria Helena Santos.

“Para além das diferenças de género serem observadas ao longo da vida ativa, estas parecem afetar as trajetórias individuais e estender-se ao período da reforma”, acrescenta Maria Helena Santos. A investigadora fez parte de uma equipa de investigação do Iscte, composta também por Maria Carolina Pereira e Miriam Rosa, que explorou as perspetivas e experiências de homens e mulheres na sua reforma. Os resultados revelaram uma grande variabilidade na forma como homens e mulheres planeiam a sua reforma, por exemplo, nas perspetivas face à reforma, mas também nas atividades em que se envolvem. Especificamente, durante a reforma as mulheres relataram estar mais ocupadas com tarefas domésticas, cuidados familiares e exercício físico, enquanto os homens relataram dedicar mais tempo a passatempos e atividades de socialização. “Os nossos dados indicam uma continuidade dos papéis de género na reforma”, afirma Miriam Rosa (CIS-Iscte), realçando que as preocupações que caracterizam a vida ativa das mulheres se mantiveram inalteradas na reforma. Além disso, as mulheres estavam menos satisfeitas com as suas pensões do que os homens, refletindo o impacto das diferentes trajetórias de vida e de trabalho nos resultados das pensões. As investigadoras sublinham a importância de compreender a reforma no contexto das diferentes trajetórias de emprego e de vida de homens e mulheres, destacando a sua influência nas experiências de reforma.

Maria Helena Santos espera continuar a explorar as questões psicossociológicas relacionadas com o género, com o objetivo último de informar as decisões políticas com base em dados científicos. “Se compreendermos as complexidades das experiências ao longo da vida, não só na fase ativa de trabalho, mas também na reforma, podemos trabalhar para promover a igualdade entre homens e mulheres e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas”, conclui.

 

Pedro Simão Mendes

Comunicação de Ciência (CIS-Iscte)

 

Feliz Natal, mesmo para aqueles que sofrem

Foto de BoliviaInteligente na Unsplash

 

Durante a época natalícia, é como se só devêssemos mostrar uma cara sorridente, banquetes e prendinhas, como se todos os problemas de que nos queixamos diariamente se tivessem desvanecido. Ora, sabemos que isso não é verdade, que muita a gente continua a sofrer com necessidades materiais, carência de entes queridos e uma sensação debilitante de não estar a conseguir acompanhar o espírito da quadra.

Pessoalmente, foi um ano muito difícil para mim com a perda da minha melhor amiga, de uma relação amorosa, de muito daquilo que acreditava e do controlo do meu próprio corpo devido a uma ansiedade por vezes esmagadora. Não me considero vítima de maneira nenhuma, não é essa a mentalidade que quero adotar. Sou criativa e autora da minha própria história.

Quero usar a minha dor como combustível, como energia que se metaboliza em vivências, em arte ou no simples movimento já que é muito mais difícil atingir um alvo se  ele nunca estiver parado. Estes tempos de guerras constantes fazem com que nos sintamos em modo de sobrevivência, com a alma em feridas à espera de cicatrizarem. Temos de confiar que o nosso momento atual é um rito de passagem. No entanto, é mais sensato não esperar que o passar do tempo nos traga respostas, apenas que se continue a fazer as perguntas certas.

Nem sempre a vida nos faz sentido e perguntamos “Porquê a mim?” vezes sem conta. Mas temos de ter força e resiliência suficiente para viver um dia a seguir ao outro, sabendo que a nossa imaginação pode suavizar em parte o que ainda dói tanto. Acreditar, nem que seja numa dimensão estritamente religiosa, pode dar-nos um suporte durante estes momentos de caos global, de corações partidos e de incertezas. Tentar pensar num “Para quê” pode também ajudar a encontrar qualquer tipo de finalidade na nossa provação.

Assim, feliz Natal a todos, mesmo aqueles para quem esta é uma época de tristeza atípica. Estamos juntos e quem sabe a graça cobrirá o nosso espírito fazendo-nos ver que não somos meros seres humanos destinados a nascer, crescer e a morrer. Que somos também parte de um mistério que nos transcende e de um milagre. Por isso, desejo alegria ao mundo e que as guerras acabem em breve!

Paula Gouveia