A vida é bela, apesar de tudo

Foto de Jay Castor retirada de: https://unsplash.com/photos/7AcMUSYRZpU

 

Numa altura em que o mundo mergulha em notícias alarmantes e desesperantes sobre a guerra na Ucrânia, invadida pela Rússia, numa sede de poder e de ganância megalómana, os problemas humanitários são cada vez mais flagrantes e impossíveis de serem ignorados. Como se diz pior cego é aquele que não quer ver e é impossível reagir com indiferença à fome, á opressão, à falta de oportunidades e à chacina nua e crua.

Queria instar os leitores europeus da Humanamente que, para além do conflito da Ucrânia não esqueçam os males já endémicos do continente africano. Os males do Afeganistão, em que segundo notícias recentes, as ruas de Cabul estão mergulhadas na instabilidade, com as pessoas a venderem órgãos do seu corpo para poderem comer. Não esqueçam que estas pessoas no limite do sofrimento são peões fáceis para outras guerras. Como tal, ajudem o que puderem, na medida das vossas possibilidades. Uma lata de atum, um pacote de arroz, o que for. Qualquer alimento é melhor que nada e pode fazer a diferença entre ir para a cama saciado ou com o estômago vazio a roncar de fome. Que ninguém fique para trás: crianças, mulheres, população em geral. As necessidades da natureza, das pessoas, dos animais, de todos os seres têm de ser suprimidas para que a sociedade possa avançar e evoluir para melhor.

Prevemos que a guerra vá encarecer tudo e que aliás isso já esteja a acontecer, desde os preços do combustível ao pão passando pelos condutos, carne e peixe. Mas temos de manter os olhos abertos para os conflitos na nossa própria comunidade e num microcosmo, no nosso grupo de amigos e dentro de nós.

Como dizia Anne Frank somos um feixe de contradições, muitas vezes, e temos de aprender a viver bem com os nossos paradoxos ao mesmo que tentamos ser o mais consistentes e congruentes possíveis. A maior mudança começa como cantou Michael Jackson por olharmos bem para nós próprios e enfrentar quem realmente somos: esse ser humano no espelho, que tem falhas e defeitos como qualquer outro. Que de igual modo tem qualidades e virtudes como qualquer seu semelhante.

Tudo o que eu desejo é que as pessoas que têm a sorte de viver num país em paz como Portugal reconheçam as suas bênçãos: o teto sobre as suas cabeças, a comida nas suas mesas, a família, os amigos, eventuais companheiros. Reconheçam mesmo, antes que possa ser tarde demais ou percam um destes componentes. Porque a vida é linda, preciosa, frágil e pode escapar-nos por entre os dedos como areia no deserto.

Vamos, portanto, agarrar a vida e viver, enquanto estamos vivos, com alegria, garra, com amor e com a certeza que se dermos o nosso melhor seremos suficientes porque se dedicarmos a nossa vida à persecução da excelência quer seja no nosso caráter, na carreira, nas relações de amizade e de amor, o nosso quotidiano terá pequenos incrementos que no final formarão um todo grandioso, vão integrar-se em nós de forma excelente.

Que possamos acreditar nisso e ser unidos, ser cada vez mais humanos, porque é isso que nos distingue dos restantes animais, que saibamos usar a nossa cabeça na altura certa e abrir o coração para nunca discriminar ou excluir mas sim para aceitar, abraçar e acolher.

 

Paula Gouveia