8 de Maio: Dia da Mulher

Dia da mulher. Considero sempre este dia um pouco agridoce – contente por ele existir, pois chama a atenção para os direitos de mais de metade da população e triste por ele ainda ter de existir.
Passam-se ainda ideias muito erradas do que é esta luta das mulheres, começando pelo próprio nome “feminismo”. O feminismo “advoga a defesa dos direitos das mulheres, com base no princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os sexos”. Não é misandria. Não é querer ser mais que um homem ou desprezá-lo. É querer ter as mesmas oportunidades, os mesmos direitos. Equidade.
No que toca à área das necessidades específicas, a carga ainda recai maioritariamente sobre as mulheres, a quem é associado o papel tradicional de cuidar. É da mulher que se espera que cuide da casa, dos filhos, que mantenha tudo a funcionar, muitas vezes em detrimento de si mesma, da sua carreira ou espaço pessoal. É também a mulher que tem maior risco de pobreza e exclusão social. Nem vou falar dos dados no que diz respeito ao impacto da guerra e outros que tais nas mulheres e meninas, se não, não sairia daqui.
Existem 7,7 milhões de mulheres cuidadoras a tempo inteiro na união europeia, em comparação com 0,5 milhões de homens. A tempo parcial existem 9 milhões de mulheres cuidadoras, em comparação com 0,6 milhões de homens. Em Portugal a tendência é a mesma: a maioria dos cuidadores é mulher. Temos de falar também das mulheres com deficiência, que estão em dupla desvantagem no mercado de trabalho. Na Europa são 61 milhões.
Há muito trabalho a fazer neste campo. É preciso deitar abaixo estereótipos e papeis tradicionais, é preciso trabalhar para que homens e mulheres sejam vistos como iguais no mercado de trabalho, é preciso que não se assuma que a mulher é um risco porque um dia terá filhos ou terá família para cuidar. É preciso dar condições às mães, mulheres e cuidadoras para que possam ter a sua carreira se assim o desejarem e dar espaço aos pais e cuidadores para que o possam ser sem reservas, sem o peso patriarcal em cima.
Eu suspendi a minha carreira para cuidar do meu filho. Voltaria a fazê-lo num pestanejar de olhos. Mas falta-me, tal como falta a tantas mães e/ou cuidadoras, bastante suporte psicológico, físico, entre outros. É este o objetivo do dia da mulher. Chamar a atenção. Ajudar a que exista união nesta luta. Relembrar aquelas que deram a vida (literal ou figurativamente) para que pudéssemos avançar. Não podemos nunca voltar atrás.
Tânia Vargas
O mundo do Gonçalinho